10/01/07

Quem tem medo do Lobo Mau?

Quantos portugueses é que ainda não perceberam que vivemos sob uma cultura dominante hegemónica e tutelar?
(Eventualmente, algum que ande mais ensonado...)

Uma cultura que transporta e preserva o que histórica, tradicional e folcloricamente é o retrato de Portugal - porque assim há quem influentemente insista em continuar-nos.

Parece que Belmiro de Azevedo vai papar a PT - isto, em termos descontraída e insultuosamente leigos. (Não percebo nada de Alta Economia e assim quero manter-me ).
Contudo, quem tenha dois dedos de testa e se detenha dois segundos a olhar à volta, não pode deixar de maravilhar-se...


Parece que afinal as jóias da coroa portuguesas valem mesmo tão pouco quanto alguns tubarões queiram gastar. (Tubarões portugueses, senhores!!...)
Que ridícula a transcendência do império PT, que ridícula a prevalência da EDP, da GALP, da Brisa, da Caixa Geral, da CP, etc, considerados os gigantes lusitanos à nossa pequenina escala.

E pior é o efeito psicológico de, ao mesmo tempo, sermos intimidados pelo Estado parolo que nos governa, no desfile transcendente e místico dos seus sinais exteriores de um Poder avassalador, e perceber, num raciocínio proporcional, que podendo eles ser tragados por um capricho empresarial de singulares, mais depressa o podemos ser nós, todos, de uma só bocada, com osso, pele e espanto, sem que ninguém nos pergunte nada.

Contudo, cá em casa, a provável papadela da PT pelo Senhor Continente é muito bem vista.
Cá em casa, como na maior parte dos lares portugueses, em que ou se coleccionaram anos e anos queixas de consumo de uma PT impertinentemente hegemónica, ou a desconfiança crescente numa empresa de capitais do Estado que parasitou os seus clientes até onde pôde, arvorando-se ao mesmo tempo grande investidora no estrangeiro, como podia encarar-se de outra forma tal perspectiva?


Aquela coisa das "companhias de bandeira" serem gigantes bonacheirões, amigos do cidadão, contribuintes líquidos para a independência, para o benefício e para o prestígio nacionais, é história que já não cola.

E a de que "malandragem" é sinónimo de "sector privado", tão pouco.

Aliás, confirmando-se - como se confirmará - a aquisição da PT pela SONAE (resolvendo-se a inacreditável espera em que se encontra o processo, num típico processo à portuguesa...) os meus direitos de consumidor estão plenamente salvaguardados pelos célebres "remédios" impostos à SONAE como forma de evitar a dominância no mercado.

...Que com estes tipos da SONAE não se pode confiar, como no tempo (actual) em que sendo o Estado quem poderia (eventualmente) abusar do domínio detido no universo PT para proveitos próprios, nunca tal lhe passaria pela cabeça!

"I see dead people..."

Alguém ainda tem paciência para esta pessoa?...

É que está sempre a aparecer!
Sempre a azucrinar!

Se acontece alguma coisa no mundo, lá está ela!
Se acontece cá, lá está ela na mesma!
Se não acontece nada, nem assim nos livramos!
Quer haja assunto, quer não haja, quer alguém o invente ou lhe dê espaço para o inventar, ela lá está, sem piedade...

Se não é o Borndiep é outra coisa qualquer.
E por mais que tentem enterrá-la, ela desenterra-se sempre sozinha!
Não foi mera casualidade mandarem-na para a Indonésia ou para a Europa! Queriam era ver-se livres dela!
...E olha o resultado: nenhum.

Agora são "os vôos da CIA", a encher chouricito.



E mexe e remexe e torna a mexer...

Até que a senhora vai dois dias aos Açores, fala com populares (só pode ter sido) que lhe "confirmam a passagem nos Açores de vôos da CIA" (espanto!) e toma conhecimento de
movimentações de "pessoas agrilhoadas".

Ora, quer se trate de uma actualização festiva do "Conto de Natal" do Dickens ou não, esta coisa do "diz que lhe disseram que viram" é uma grande fantochada.
E se calhar, se a senhora não andasse sempre no laréu, se falasse com qualquer português que cá viva e pene, qualquer um lhe contaria das "
coisas complicadas" que tem visto acontecer!...

Com tantas "visões", dá vontade de dizer: "Ai «I see dead people...»? Olha que eu também! Como dizia o chavalito: «Dead people walking around like regular people. They don't see each other. They only see what they want to see. They don't know they're dead.»"


Porque é da boca das crianças que sai a verdade.

Já chegámos aos Açores?...


Foi noticiado que a Assembleia de Rhode Island, EUA, aprovou um voto de protesto pelo encerramento previsto do consulado português em Providence.

Na origem do voto, a reestruturação da rede consular portuguesa em marcha, que à moda recente de "gerir racionalmente custos" se traduz no encerramento alarve de portas em locais-chave da representação portuguesa no mundo - como em Rhode Island, em que os muitos milhares de portugueses (inscritos nos consulados de New Bradford e Providence - que fechará) formam uma comunidade sólida e influente.

Uma rematada vergonha!

E o que teve a dizer o senhor Presidente do Governo Regional dos Açores - região que muitos port
ugueses deu e dá à América - sobre esta reestruturação e estes fechos?

Começou por garantir o senhor que "o Executivo Regional tem «estas matérias mais ou menos assentes» com o secretário de Estado das Comunidades, tendo em conta a reestruturação que o Governo da República pretende concluir ainda este mês".
(...Assim uma espécie de ter uma ideia do que o Governo vai realmente fazer.)

* Milhares de portugueses.
* Fim de representação diplomática.
* «Matérias mais ou menos assentes».
OK...

De seguida, acrescentou que "o
consulado de Nova Bedford vai manter-se", desenganando os pessimistas portugueses que já pensavam que a enxurrada lhes arrastaria ambos os consulados.
Mas ainda foi mais longe. ("Ai os portugueses de Rhode Island precisavam de mais um consulado?")
Anunciou que "o consulado de Providence será extinto mas, em contrapartida, deve ser aberto um novo consulado na zona da Califórnia" (sic).

"NA ZONA DA CALIFÓRNIA!"

Eu sei que é um bocado má-vontade minha estar a pegar nas infelizes palavras do senhor. Que não era isso que ele queria dizer e patati-patatá.
Mas lamento: foi o senhor que fez a inacreditável associação de ideias!
O que lhe ocorreu veloz à puída inteligência, foi referir a "contrapartida" da "Califórnia".
Em suma, que se um português em Rhode Island tiver assuntos seus a tratar num consulado, olha!, houve um que abriu para aí a 4300 kilómetros!


Ninguém se lembra de o maluco do Presidente da Região Autónoma da Madeira (um "maluco", claro!) acusar o seu Homólogo dos Açores de "ter vendido a autonomia financeira por um «prato de lentilhas»"?

É que eu lembrei-me agora.
Curioso...

Mas fulanos à parte, o desprezo pela portugalidade e pelas suas mais enraizadas forças grassa com a acção deste Governo.
Tanto cá dentro, como lá fora.

Por isso o Conselho das Comunidades Portuguesas se manifestou já contra estes encerramentos abruptos de consulados.

Por isso quase dois mil portugueses se manifestaram frente aos consulados em Orleães e Toulouse, em França, protestando também contra o encerramento dos seus consulados.

Por isso em Nova Iorque, onde também se prevê a implosão do consulado de Portugal se fizeram sentir reacções de muitos mais outros portugueses que se sentem abandonados.
Por um País que será o único da Europa a 27 que não terá ali uma representação consular.

Como se sentirão os portugueses em Durban, na África do Sul.
Onde tantos morrem, abatidos nas ruas por um crime selvagem e sem nexo, com um pensamento derradeiro na sua Pátria.

Nação ingrata.




Neste post tive o orgulho de escrever umas 16 vezes "Portugal"; nos seus variados matizes.
...Isso faz de mim mais patriota que o Governo em funções e seus cúmplices? Certamente que não.
Mas já é uma boa purga.

04/01/07

Os melhores dias das nossas vidas

Os melhores dias das nossas vidas são aqueles que, por pequeníssimos motivos, nos fazem acreditar que valeram a pena.

Esses são os únicos dias das nossas vidas.

03/01/07

Grandes Portugueses


Roger Louis Schütz-Marsauche (Frère Roger);
12 de Maio de 1915, Provence, Suiça – 16 de Agosto de 2005, Taizé, França.

Sem dúvida que fará parte da lista.

Eh pá!... Mas nem sequer era português!...
Não faz mal. Não precisaria sequer do meu voto.

Trinta-e-um-de-boca

A produtividade dos portugueses pode ser baixota. (Ainda não mo comprovaram, mas prontos...)

Agora, que o problema seja um exclusivo nosso, aí calma!...

Neste folheto instrutório de montagem de uma coisita de madeira de origem francesa (!) também podemos apreciar o fino recorte, a subtil distinção entre o fazer uma coisa e (como diz o outro) "uma espécie de a fazer".

Como se pode observar no campo da informação do tempo médio de montagem, não há uma indicação "do tempo que leva" a montar, há uma "do tempo que se diz que leva a montar"!...

Uma coisa do tipo:
- Oh pá, ganda estucha! (Isto, em francês, claro!)
- Atão?...
- Não me tá nada a apetecer, mas a minha Joséphine (cá está!...) anda-me a matar o bicho do ouvido pra lhe montar esta traquitana pra ela pôr a coleção de gatos de loiça...
- Oh pá!, não te preocupes que isso faz-se num estante!
- Eh pá, obrigado!, vais-me dar uma mãozinha?
- Não, por acaso não. Mas isso não é coisa para levar mais de três quartos de hora!...

Deve ser do ar do Mediterrâneo.

Falar Claro - III

Soltar os cães.

Era inevitável...

Que numa situação em que a apresentação de argumentos racionais e honestos se impunha, fossem as motivações mais baixas e as razões mais estúpidas as que surgiriam primeiro (e só?).

Era inevitável.

Mas a inevitabilidade não pode isentar da crítica.
Da censura a uma maneira de argumentar ofensiva - por vezes deliberada e inadmissivelmente ofensiva - em que tanto se pretende fazer valer argumentos, como fazê-los valer a qualquer preço, ou esmagar quem se nos opõe com estúpidos e violentos argumentos lapidares.

Eis dois bons (!) exemplos de como estamos a "começar" mal. De como se confirmam as péssimas expectativas. E de como o pior está ainda para vir.

Por um lado "Contribuir com os meus impostos para financiar clínicas de aborto? Não obrigada.".
Ficamos todos a saber, logo à partida, que o argumento do "ginecídio" - como alguém já lhe chamou - também é arma do "Não". Este é um "assunto de mulheres" em que os homens não devem meter a colherada, porque são elas as "obrigadas", não "eles" e acabou-se!
Fazendo apelo a um sentimento desprezível dificilmente compatível com uma temática como o aborto (mas tão politicamente em voga, tão popularucho e tão demagógico): o do pecuniarismo, procura-se a repulsa pelo aborto. Curto e grosso.
"O quê? Quanto é que isso me vai custar?!... Então voto contra!"
Para alguém que como eu se afirma frontalmente contra o aborto - contra o conceito, contra a prática, contra a legitimação, contra a sua promoção - é inadmissível que ao valer tudo valha "discutir" assim. Descer tão baixo.
Segundo uma lógica tão socrática devemos perguntar quanto custam um IPO para perceber se vale a pena? Ou quanto custa uma unidade de queimados ou uma de ortopedia? ...Exactamente!! Quanto custa uma maternidade, um Centro de Saúde ou um CATUS? É assim que se quer discutir um País, uma sociedade, uma cultura de povo? É "isto" que queremos ser?
...E será que depois de aprovada (esperemos que não) uma abertura do período legal para realização de aborto, alguém propõe que se recuse o direito a uma intervenção médica a uma mulher que o solicite no respeito pela lei (por mais rejeitável que seja o conceito)? Pelo singelo motivo de "me sair caro"?...

Por outro lado temos o "Sim. Para acabar com a humilhação." .
Outro atropelo à seriedade que se desejaria para um debate destes: o argumento da necessidade de uma "liberalização" da lei do aborto, motivada exactamente pela inexistência... da lei existente.
Há neste momento em vigor legislação que impõe limites à prática do aborto. Permitindo-o numas circunstâncias, noutras não. Há penalizações previstas na lei para o caso do seu incumprimento. E tanto os cidadãos como os agentes policiais ou judiciais vivem e agem no seu pleno conhecimento. Como em qualquer outro domínio.
Mas em Portugal nada é normal.
Então: a lei que existe é má porque é demasiado rígida e penaliza um acto desesperado, sem alternativa.
...Pelo que deveria ser mais branda nos limites e nas penalizações do recurso ao aborto.
Mas ao mesmo tempo, a lei é má: é demasiado branda e não prevê, em todo o seu alcance, a penalização equitativa e justa de todos os implicados num (crime?/ilícito? de) aborto, exercendo uma repressão descriminatória sobre as mulheres que abortam.
A lei, aliás, é uma vergonha nacional. Estando em vigor há um ror de tempo e não sendo aplicada por um sistema de saúde, judicial e social que faz dela letra morta, cobre-nos a todos de ridículo.
...Mas tudo menos aplicá-la!, sendo um instrumento de mentalidade anacrónico e violentador de direitos básicos de cidadania.
Portanto, é acabar com ela de vez!...
...Bom, não é bem acabar com a lei...
...E também não é bem torná-la mais equitativa, estendendo a sanção do acto a todos os seus coadjuvantes (os interventores no aborto, os angariadores, os pais, etc.)...
...Nem sequer abolir a tipificação do crime?/ilícito? perante a lei, para que mais nenhuma mulher seja sancionada por causa de um acto sem alternativa e desesperado (é incompreensível conferir a esta questão uma importância libertária nuclear e aceitar mantê-la na categoria dos comportamentos transgressores sujeitos a sanção em tribunal!...)...
...A "solução" para o "fim" da humilhação das mulheres que fazem um aborto, o objectivo da realização do referendo de 11 de Fevereiro é tão-só mexer num limite temporal de dez semanas para a sua realização.
Abrir a janela de "oportunidade" e salvação à cadeia, que se concede que se feche às 10 semanas e um dia...

Eis a distintas vitórias almejadas e os meios nelas empregues...

Os contendores largaram uns sobre os outros os cães da argumentação.
Para haver rebuliço, ganidos e algum sangue a correr.

Quem é que precisa disto?

Sem Comentários 5

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?section_id=9&id_news=256545

02/01/07

"Sim, você aí, agarrado ao computador!"


Uma "referência" a sério no jornalismo: a Time.

Que todos os anos designa a figura que mais se relevou do conjunto dos mortais.

Desta vez, com alguma surpresa mas pouca bizarria, a figura considerada "do ano" foi você.
Sim, você aí, agarrado ao computador!

Internauta, mailador, bloguista nas horas vagas, aprendiz, usuário ou craque numa tecnologia que se confunde entre a ferramenta e a natureza de uma contemporaneidade que há muito se afirmou como irreversível e decisiva.


Pela sua curiosidade, pelo seu interesse, pela sua fidelidade, pela cumplicidade, pela partilha, pelo contributo fundamental para a ciberglobalidade.

Parabéns a todos.

...E por isso, claro, também parabéns a mim.

(Com uma piscadela de olho ao Mais Dia.)

Desejos de melhor 2007

Desejos sinceros para o mundo que a entrada em funções do novo Secretário-Geral das Nações Unidas acrescente alguma coisa de positivo ao novelo do planeta de hoje.

Dez anos depois, Kofi Annan deixa o comando das NU, após escândalos de gestão a mais e capacidade de regulação a menos do que se costuma designar como "a Ordem Mundial".
Um indivíduo que no seu discurso de despedida, de cátedra, se fartou de dar sentenças terminais sobre o rumo do mundo - apontando dedo acusador aos culpados dos seus males, não sendo capaz de lhes reconhecer as benfeitorias e não assumindo abertamente para si os fracassos que couberam durante uma década às NU.
Como se ela não tivesse tido, sob a sua condução, a oportunidade e a obrigação de fazer muito mais e melhor pelos indivíduos que habitam o planeta.


Há muita coisa a mudar no mundo. E as NU - o tipo de coisa que as NU se tornaram - estão à cabeça.

Será um trabalho à medida do labor e eficácia coreanos?...