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04/07/08

Para a Tralha Cavaquista, Daqui Vai...

...Um Sentido Pontapé!






Num País em que todo o cão e gato tem direito a "biografias" em papel, na net e em canais da especialidade, o Sr. Pinto de Sousa não é excepção.
Saiu para os escaparates um
rolo de papel de folha simples sobre o percurso do político e do Homem que se fartou de bulir para cá chegar. (Confira-se o site da FNAC.)

"Cá", à política,
a Lisboa, ao sucesso, ao Governo, ao zénite do superior pensamento da Nação.

(Coitadinho, o que ele moirou para vingar desfavorecido na Beira..., o que ele batalhou para singrar sozinho na esfera do PS da metrópole..., o que ele suou para se formar no académico que é hoje..., o esforço que foi arrancar o seu poder actual às mãos aferrolhadas de Santana Lopes..., os tormentos que passa ainda agora, coitadinho, com uma imprensa tão atenta, isenta e agressiva...
Coitadinho...)


Por isso, para tal alma tudo é pouco.

Coube o frete..., isto é, a distinção, à sub-directora da Antena1, a jornalista Eduarda Maio, de quem até gosto.
...Que mais ou menos nos termos que se esperava explicou - em longos seis minutos - à RTP (!!!) o processo de postura da obra.
Como as dez horas de entrevista com o protagonista da
"biografia não autorizada".
Como a extenuante pesquisa sobre a longa vida de salientes concretizações do "Menino de Ouro do PS" - termo da autoria de terceiros e que por isso não compromete a imparcial e inócua obra literária!

Mas ainda que triste, não é esta a parte mais lamentável.


Foram mais reveladores os próprios detalhes do parto do opúsculo.

Numa comovente cena de Natividade, vieram reunir-se em redor do Menino (de Oiro) os Reis Magos da nata VIP que pelas heterogéneas razões que lá saberão trouxeram os incensos e as mirras que lançaram na farta molhada das oferendas da circunstância.

Um deles: Dias Loureiro.



(...É difícil conciliar o reconhecimento da liberdade individual e universal de falar e agir de cada um com a censura e o asco que me sufocam e se me moldam em palavras... mas paciência.)

Cada vez mais me ocorre a expressão usada por Vicente Jorge Silva - então recém-convertido à rosa - quando um dia julgou (e bem) ver regressar à política,
depois do flop, o cortejo inevitável dos que apelidou de "tralha guterrista".
...Ocorre-me a expressão, adaptada pelos tempos para a "tralha cavaquista".



Cada vez mais o aluvião do Rio Cavaco se revela um espessante poderoso do caldo barrento em que involuntariamente nadamos.
Cada novo rosto laranja que se reencontra, cada nova individualidade que sobressai e reforça posição no laranjal ou no Nacional Rectângulo, uma velha memória comum de colaboração política no Governo de um Cavaco-Primeiro; hoje um Cavaco-Sombra mais abrangente e tentacular que o que o seu magistério prevê, do que a sua amorfa prática sugere.



Cavaco Silva, o magnificamente sereno Presidente da República, monarca de cognome "O Inútil" (esta paga direitos ao Kaos), o "Cooperante Estratégico" com a farsa governativa, ainda assim não dorme.
E segundo um plano antigo e abrangente,
os seus tentáculos penetram na sociedade influenciando-a, controlando-a, manietando-a.

Dir-me-á alguém que sempre assim foi e sempre assim será...

Que o polvo soarista ainda aí está para lavar e durar. Que o sampaísta idem. Que o "-ista" agarrado a este ou agrafado àquele - fremente, sôfrego, subalterno, parasita - é uma fatalidade da política e da sociedade...
Seja-o.
Mas que não seja menor a inevitabilidade de o denunciar, quem o ache o insulto e a perversão que configura.

Porque não façamos confusões.

Cavaco Silva foi o maior Primeiro-Ministro que este País já teve. E sem parecenças de vir a perder o galardão para qualquer outro nas próximas décadas.
E a
quem a razão não se encontre politicamente toldada, aconselha-se a leitura do laudatório "As Reformas da Década", onde os mais esquecidos poderão sempre recordar o percurso de um Portugal-Cavaco - saído de 40 anos de subdesenvolvimento e mais dez de bagunça revolucionária de plantar de estaca - que se actualizou, modernizou e dignificou perante si mesmo.



...Apenas as geniais palavras que serviram para caracterizar Mário Soares ("É um animal político, não é um animal ético.") se vão aplicando ao discreto algarvio pacato e competente.

Cavaco, afinal, tinha "uma agenda". Sua.
Um plano. Para si.
Um projecto e um propósito individuais de alcance duvidoso.
Tendo sido a corrida à Presidência a evidenciá-lo. Ao colocar-se acima e além de tudo.



E quando um Barão-Laranja Dias Loureiro se presta à dupla vassalagem de patrocinar o lançamento de um já miseravelmente propagandístico "O Menino de Ouro do PS", ocorre a cada um de nós que nada é por acaso.

Disse que Sócrates "faz bem ao País", pelo seu optimismo.
Disse que Sócrates "emociona" pelo "
lado dos afectos", pelo "amor pela sua terra", pelos "valores que o amarram à vida". Disse da sua "enorme generosidade", "sensatez e prudência". Das suas qualidades de "coragem" de "homem trabalhador".
Disse que Sócrates, "tal como Tony Blair" "é infatigável". Que com a sua "coragem", "capacidade de liderança" e "capacidade estratégica" está "muito longe de estar acabado"...

...E eu sinto, em partes iguais, desnorte e vergonha.

E se aparecem umas aves raras - por exemplo Paulo Teixeira Pinto (lá estão eles...) - a dizer coisas tão convenientes como
que a «dicotomia “nós” e “eles” [é] "péssima" para o país», porque "cria descrédito" e "ajuda a minar o apoio social que as políticas possam ter", é um pouco mais que suspeito.
Enquadra-se no estilo-neutro da Presidência, no estilo-suave da oposição laranja, no estilo-morto do espírito crítico dos moradores da Nação.



Que alguém chegasse um dia a assumir que não existem diferenças entre os partidos, seria de louvar.
Que o PS e o PSD andam no alterne (ou alternância) político (-a, ou lá como se chama), gostaria de ver alguém reconhecer.
Que os pequenos partidos políticos apenas esperam para a sua sobrevivência ou um lugar à mesa grande ou que o circo pegue fogo de vez para correrem de baldinho, seria giro ver assumir...

Até lá, não me gozem. Não me insultem.

E se as tralhas partidárias se afastarem demasiado da realidade do País, estará na hora de uma reacção do País e dos Portugueses. De uma mudança.

Por isso, do fundo do meu coração laranja, para a tralha cavaquista, daqui vai
... um sentido pontapé!...

22/05/08

Tons Laranja


O partido dos laranjinhas fez anos. Tantos quantos a democracia (possível) desta terra, que ajudou a fundar.
Motivo para trocar palmadinhas nas costas e acender velas.
De aniversário.




Mas também de velório.
Após o falecimento, por doença degenerativa, de uma Direcção incapacitada há muito para o exercício prático de funções.
Alumia-se-lhe o cadáver ainda quente...



[...O que não deixa de encerrar algum absurdo: com um ano apenas de mandato, Luís Filipe Menezes e sua equipa conseguiram entrada merecida na galeria dos benfazejos do partido, por dois actos memoráveis.
Primeiro, ter apeado Marques Mendes do pavoroso sonho de vir a ser Primeiro-Ministro.
Segundo, ter saído pelo próprio pé antes de correr o risco de o sonhar também.]



Mas mais velinhas se acendem.
Agora de súplica e devoção.




Arrancou a corrida à liderança do PSD. E exige-se que um partido com tanta gente faça sobressair os seus melhores.

Como militante, votarei. Como sempre. Com a maior consciência da responsabilidade que o meu voto pode ter. - Sou dos que acreditam que o que desta eleição resultar tanto pode ajudar ao erguer desta Nação como ao seu enterro definitivo.



E neste contexto de desfile de candidaturas e candidatos, urge fazer uma reflexão definitiva sobre os candidatos que parece arredada do palco político.
- A reflexão de um social-democrata a que não só a oportunidade como a consciência e a coerência me obrigam.

___________________________________



Candidato Neto da Silva.
Ex-Secretário de Estado de Cavaco Silva.

Não conheço. Não sei quem é. E não voto em quem não conheço. Nem eu nem os outros portugueses. E se nele nunca votariam, por maioria de razão pouco sequer interessa o que o senhor tenha a dizer no presente contexto.

[É cruel, a verdade política.]



Candidato Patinha Antão.

Doutorado em Economia, Professor Universitário, Secretário de Estado-Adjunto, Vice-Director de Direcção-Geral, Chefe de Gabinete, Director de Gabinete, Deputado.

Uma das poucas figuras que pelo partido fala de Finanças como quem sabe do que fala e frequentemente tábua de salvação de um indigente Grupo Parlamentar laranja neste (...) domínio.

Já andou por muito lado, conseguiu mobilizar caramelos para recolher assinaturas por ele - que chegaram a vir a minha casa - mas os votantes não o encaram como um candidato "a sério" nesta eleição.
"E se nele nunca votariam"..., idem aspas.


Candidata Manuela Ferreira Leite.

Economista, Directora de Departamento, Directora-Geral, Presidente de Conselho de Administração, Técnica Consultora, Chefe de Gabinete, Professora Universitária, Deputada, Secretária de Estado, Ministra por duas vezes, Membro do Conselho de Estado e Comendadora.

A sua entrada na corrida à Presidência do partido elevou a fasquia para todos os candidatos.
Mulher de longo currículo, muitas artes e imagem publicada de severidade e rigor, com uma longa e fiel corte de dependentes em cascata, é uma concorrente a ter em conta.

Pena é não ter assumido ainda a sua quota-parte de culpa no panorama em que hoje Portugal vive.
Não se é (?) impunemente membro de sucessivos Governos, aparecendo um belo dia como salvadora do País que se ajudou a moldar.
[E é assustadora a proximidade que se percebe entre a sua visão socio-política e a do "Governo" actual.]

Mais: Manuela Ferreira Leite contribuiu activamente para o descrédito em que a política hoje se encontra.
Engrossou a casta da clientela iluminada que assume indiferenciadamente qualquer mandato que esteja à mão, não deixou nem marca nem saudade nos Ministérios que dirigiu - Educação ou Finanças -, não disse "presente!" no momento da vida do seu partido em que era obrigada a fazê-lo (quando Durão Barroso saiu) e limitou-se a integrar o coro grego de agoiro de Direcções, em que muitos dos seus cortesãos se movimentam.

Agora, é mero rosto daquilo que a falange mendista consiga reacender após a derrota que lá vai e do seu objectivo de reconquistar o partido, encerrando um sonho mau em que tem vivido.


Candidato Pedro Santana Lopes.

Advogado, Professor Universitário e Regente, Presidente de Conselho Fiscal, Presidente de Conselho de Administração, Assessor de Gabinete, Adjunto de Ministro, Presidente de duas Câmaras Municipais, duas vezes Secretário de Estado, Deputado, Deputado ao Parlamento Europeu, Primeiro-Ministro, Presidente de Clube Desportivo, Comendador numa data de países.

Santana Lopes concorre fundamentalmente por si próprio. Não pelo seu partido.

Não entendendo que o epíteto de imortal da política mais faz dele um chato que um resistente, Santana pretende corrigir a História.
Uma História que não percebeu que avança, que muda e que se fecha.

Fui (e sou) dos poucos que ouvi afirmar alto que a trapaça institucional a que Santana foi sujeito pelo ex-Presidente Jorge Sampaio não passou disso mesmo. Uma canalhice de contornos partidários.
O Presidente da República concretizou um Golpe de Estado constitucional, interrompendo o mandato dum Governo quatro meses depois de ter optado pessoalmente por dar-lhe posse.
Sob pretexto levianamente aludido de (sic) "uma série de episódios", a que acrescentou (sic) "dispenso-me de os mencionar um a um pois são do conhecimento do País", cobrando a um Governo de quatro meses a "obra consistente e estruturante na resolução dos problemas" não realizada.


...Mas isso é História Antiga. Passada. Encerrada.

Se Santana se considera hoje uma vítima sedenta dos seus tempos de Governo, não tem senão que engolir o sapo, procurar Sampaio a uma esquina escura ou esperar por uma encarnação em que concretize o seu desígnio de governante de sucesso.
Tudo mais, é puro delírio.

Mesmo que tenha consigo um resto de santanistas não encaixados no partido desde o seu desaire e uma falange de menezistas que prefere as apostas altas, não é a espécie de oposição ao "Governo" PS que desenvolveu em articulação com Filipe Menezes que o torna nem opção séria para o partido nem para o País.



Candidato Pedro Passos Coelho.

Economista, Professor Universitário, Gestor, Deputado, Autarca.

Com ele estão todos os outros menezistas. Isto é, todos os que ajudaram a eleger Luís Filipe Menezes Presidente contra Marques Mendes - mesmo que mais por missão que por convicção, como eu.

O seu currículo é curto. O que o ajuda, ou nem tanto.
Num País parolo como o nosso é possível que se olhe para Passos Coelho como um candidato politicamente menos capaz, por não ter estado tão amesendado como os seus concorrentes em cargos e lugares no Estado.
Mas a sua distância do Estado e do aparelho do Partido permitem-lhe uma independência de discurso em relação à degradação actual da Nação e ao pedido de confiança para agir que as demais figuras elegíveis não alcançam.
(Apesar de, com alguns apoios, estar tão mal acompanhado como os demais...)

Um homem novo; um discurso com um novo tom; eventualmente uma nova mentalidade... A única possibilidade em aberto do fraco leque de escolhas.

É ele que receberá o meu voto.


João Jardim. O candidato que nunca o foi.

Seria seu o meu voto. Fosse a sua candidatura mais que um espectro.
Por isso apoiei o seu avanço em altura própria. Quando o que parecia estar em causa era uma questão de apoios...

E a explicação da minha posição não precisa de muitas mais palavras do que as que escrevi na resposta ao Palácio do Marquês, que fez uma graça com a minha manifestação pública:
"É essa a medida do meu patriotismo: não me interessar se João Jardim tinha possibilidades contra Sócrates ou sequer à frente do PSD. Apenas a certeza de que a podridão geral em que este País chafurda precisa de um, dois, dez João Jardim, que abanem este charco e nos façam abrir os olhos de uma vez. Tudo que lá não chegue, é jogar para o empate, é brincar com coisas sérias, é dar de comer à vergonha de não fazer nada contra este estado de coisas. Mas o JJ já não concorre. E o País respira tranquilidade e paz."

Jardim, ao contrário de Santana, não concorre por si.
Faz política por si.

Disse-o
em tempos e repito-o à exaustão:
«Como percebo o que disse João Jardim sobre a necessidade absoluta de uma frente de "combate ao Governo Sócrates", abarcando "todas as forças politicas, sem excepção" desde que firmes neste propósito. [...] Da mesma forma que percebo o que dizia Jardim sobre as últimas Presidenciais: "os candidatos que se perfilam para Belém não defendem o interesse de Portugal". [...] Em suma, é verdade que o País "está a ser conduzido por gente louca" e que "se Portugal não se livrar deste Primeiro-Ministro e deste Ministro das Finanças vai atravessar momentos dramáticos". Até porque "a asneira tem rosto e não é depois do mal feito que o país deve acordar".
"
Não dá para dissociar homens de políticos, pelo que o embrulho ficará sempre mal atado.
Mas até lá, João Jardim será referência de um homem de coragem num mar de cobardes, um homem de acção e obra entre incapazes, um homem frontal e temerário no meio de convencionados


Quem tivesse visto
certa entrevista na RTP com a Judite de Sousa, teria esclarecido que "O Alberto João" é um genial cromo retórico com que Jardim distrai as atenções de papalvos enquanto governa sem que o aborreçam.

«Rigoroso, coerente, ponderado, incisivo, sobrando-lhe tempo de sobra para os recados às instituições, aos governantes e aos portugueses", quando quer.
Mas perante a lôbrega pergunta: "E não teme os prejuízos políticos que daí possam vir?" e a resposta lapidar "Eu não tenho que pensar em mim.", pouco ficou para dizer.
Claro que o dr João Jardim continuará amanhã a ser visto (ou queira-se fazer parecer) como um louco.
No Portugal do politicamente correcto [denunciar como ele o faz] é impensável. Só explicável por uma profunda perturbação mental.
Mas no fundo, nesta terra, quem são os alienados, quem são os carcereiros, quem está irremediavelmente fechado, onde e porquê?
Quantos homens destes seriam necessários para subverter a ordem instalada no hospício?
»


«Um político com defeitos públicos desfraldados e provocantes. Ao contrário de outros, com defeitozinhos privados e mesquinhos.
Um homem frontal. Ao contrário da casta dominante de castrados que nos governa.
Um governante de ideais, projectos e riscos. Ao contrário dos tíbios de verbo fácil que pululam e infestam uma política paralisada pelo politicamente correcto.
»


Mas a oportunidade perdeu-se e a fria realidade convoca-nos.

_______________________________


Exigir-se-ia que um partido com tanta gente fizesse sobressair os seus melhores. Isto é, alguns bons... Ou pelo menos uns candidatos melhores que estes...

Mas deixemos o reino de tons laranja decidir como quer desembrulhar a prenda que Menezes deixou no seu sapatinho...

[Esta foto não sofreu qualquer tratamento.]

29/09/07

A Nóia

A Nóia não é já mais que uma saída passada.

Uma estrada sem fim, é afinal um caminho.

12/09/07

Somague Parte III - Campânula eleitoral

A laranja está podre. E quanto mais depressa o assumirmos, melhor.
Como forma de acautelar o resto de sanidade dos que nela militam e dos que imparcialmente sabem reconhecer-lhe o pilar que é da democracia portuguesa e dela esperam que aja à altura.

Há quem pretenda ver na actual eleição do líder do PPD/PSD um momento de viragem.
...Que não vai acontecer.

Se a política portuguesa de hoje respeita como outrora os "3 Efes": "Falta de princípios; Falta de ideias; Falta de vergonha", o PPD/PSD encaixa-se-lhe perfeita e desgraçadamente bem.

À semelhança da eleição, há poucos anos, de um líder para um PS-saco-de-gatos, em que o insulto e o achincalhe só não assumiram proporções bíblicas porque a campanha terminou, o PSD segue a mesmíssima linha de ajuda da credibilidade do Estado Português no que é de tudo isto formado.
Quando a uma figura decorativa inconsequente se presta suceder uma outra, sobretudo distinta pela falta de preparação, está a cabrada na horta.

Entre SMS cruzadas em enxame para os telemóveis dos pobres militantes em gozo de merecidas férias, bacoradas e ruído.

No espaço dos média o investimento idiota na desconfiança e no descrédito; sondagens de popularidade marotas para todos os gostos e encomendas; e lama. Muita lama casual.

Luís Filipe Menezes que se descobre com exclamação ser um mísero plagiador de trazer por casa - que aqueles de outras cores que escrevem livros inteiros com recheio de outros chouriços são os verdadeiros especialistas...
Um plagiador daqueles que na net (agora afinal somos todos tão formais e moralistas...) posta conteúdos nos seus blogues sem indicar fontes.
Descobrindo-se para supremo ridículo que é um assalariado seu que mantém o blogue - porque eventualmente é uma pessoa demasiado ocupada para essas futilidades.

O porta-voz da candidatura de Marques Mendes, Macário Correia, que coincidentemente é acusado de assédio sexual.
Arrastando a denúncia ou a calúnia consigo a figura de um Marques Mendes atordoado.

O "escândalo" aeronáutico do aviãozinho que Menezes usou, por empréstimo de um construtor civil com interesses em Gaia.
No que apenas corporiza um caso de estupidez agravada e má figura.

O próprio
"escândalo" Somague; que por acaso cai agora cai nas mãos de um inepto líder que, como se sabia de antemão, apesar de não ter nada a ver com o caso não soube lidar com ele - como também não sabe lidar com mais nada.

Muito barulho por nada. (O que é triste por tudo isto acontecer sob uma campânula que bloqueia esta fona do supremo desinteresse de um Portugal entretido com as suas dívidas à banca e compras do shopping.)

E lama. Muita lama.


A tal ponto que quando "o" debate chegar, o tal, o a sério, aquele em que o trigo e o joio se separarão como as águas do Mar Vermelho, fazendo descer sobre as cabeças dos sociais-democratas de quotas pagas a clarividência do voto, ...eu não vou vê-lo.
Faço ostensivamente questão disso.
Como forma orgulhosa de no último reduto não ceder a tudo que me impingem.

...Até porque já sei quem vai ser eleito.
Luís Filipe Menezes.

Tem envelopes muito mais giros!

11/09/07

Somague Parte II - Justiça vendada / Justiça vendida

Ora bem, segundo o noticiado, o Departamento de Investigação e Acção Penal de Lisboa entendeu que não havia "motivo para abertura de inquérito criminal" no caso do financiamento PSD/Somague, por "não se verificarem, por ora, os pressupostos que [o] fundamentam".

O que, com naturalidade, deu origem a manifestação de gáudio da parte do responsável político à data pelos factos, comprovada que ficou a "correcção de comportamentos" dos visados...
Que um homem não é de borracha e também se sente de ver o seu bom-nome e o dos seus arrastado pela rua...
Afinal, imagine-se, até foi pago "o valor correspondente à dívida fiscal"... E o que pode ser mais elevado que o valor fiscal de um acto humano?
Ora pois.

O diabo é que o DIAP conclui uma coisa sensivelmente diferente de uma sabonária de carácter aos dirigentes do PSD da ronda autárquica de há seis anos: concluiu não haver base para "inquérito criminal", mas que houve "ilegalidades objectivas", violada que foi a lei do financiamento dos partidos.

E pode ser problema meu, mas continuo a achar que este é um sintoma da gangrena chamada Controlo da Política pela Horda da Advocacia que institui esta maravilhosa paleta ética do "é criativo, mas não é irregular", do "é irregular, mas não é ilegal", do "é ilegal, mas não é criminoso", como se no exercício público a vergonha fosse uma variável que assume formas e dimensões ao sabor da circunstância e da certificação técnica.
(Um abraço de exclusão aos meus amigos LM, CL, JG, JP, AM, TLF, HB e outros advogados que me vão na política continuando a servir de exemplo.)

Como resultado, a Justiça vendada é uma Justiça vendida.


E já nem me refiro a focos de corrupção a que a Justiça está tão sujeita como qualquer área da vida social.
Falo de uma economia planificada da informação em que política/justiça/"media" se conjugam para formatar uma opinião pública já de si débil. Condicionando os processos, manipulando a sua leitura, formulando hipóteses definitivas e únicas de interpretação.

Logo, o PSD portou-se bem em relação à Somague - tal como bem se comportam todos os restantes partidos na aventura do seu financiamento.

Logo, o Sr. Pinto de Sousa é um cidadão exemplar na alegada troca-baldroca dos documentos relativos à sua licenciatura.
"A Procuradoria-Geral da República arquivou o inquérito à licenciatura" uma vez que não encontrou prova de "prática de crime de falsificação de documento", certo?
Como levar a mal o regozijo de um homem inocentado por uma Justiça célere e clara?
Não há crime provado: calem-se as bocas maledicentes.


Logo, o Primeiro-Ministro cognominado de "De Todos os Portugueses", não é um bisonte violador de espaços sociais democrática e constitucionalmente definidos, uma vez que a autoridade reguladora dos meios de comunição lusos o ilibou da prática de "pressões junto de alguns órgãos de comunicação social", quando certo dia se encontrou acossado pela imprensa.
...Dixit, e pronto! Acabou-se.
(Não obstante a jura a pés juntos de Directores de Informação de órgãos de imprensa no sentido contrário.)

E assim as entidades reguladoras se tornam - todas - joguete legitimador na mão de quem lhes pode chegar.

Em favor de campanhas de limpeza ética.
Através de procedimentos que cândidos se encontram desblindados face a esta voragem.
Contra a ordem, contra a sociedade, contra os próprios cidadãos.

Nunca como hoje a informação foi poder.

Um Poder tão ao alcance do cidadão.
Tão longínquo hoje, à distância de nos interessarmos pelo que quer que seja.