
Está consumada. Uma barbaridade que nunca julguei possível.
O chipamento da vida dos cidadãos.
Claro que "apenas" nos carros em que se deslocam.
Claro que "só" por motivos utilitários e reactivos a uma insegurança que, como não respeita nada nem niguém, tem resposta pronta e adequada de quem nos "governa".
Claro que é para o nosso bem....
Claro!
O que acontece é que cada vez menos gosto desta sociedade em que vivo.
Cada vez mais me inquieta que esteja a criar um filho inocente - futuro cidadão - para o entregar nas mãos de um monstro silencioso.
E por imperativos de moral e de razão não estar a artilhá-lo com as ferramentas de violência adequadas a responder-lhe, quando velho não me couber já a mim lutar num combate de uma outra dimensão, com a vitalidade que então já não terei.
Há muito que a questão do "divórcio entre cidadãos e os seus governantes" está ultrapassada...
[...O "divórcio" entre os cidadãos e o próprio "sistema democrático" que os rege nunca sequer esteve sobre a mesa, na medida em que ninguém se "divorcia" de algo a que nunca esteve intimamente ligado.]
...Hoje - resultado de um intrincado processo e de uma intrincada manipulação - os cidadãos estão divorciados de si mesmos. Cada qual já não procura saber o que pode fazer pela Nação, mas também já nem lhe interessa saber o que a "Nação" pode fazer por si - exercício penoso de intelecto e civismo a que ninguém se sujeita - cortado em qualquer sentido o cordão umbilical que o ligaria à comunidade dos seus semelhantes.
Hoje, o cidadão divorciado de si mesmo não procura intervir sobre o seu meio, atrofiado na sua iniciativa.
Não procura intervir sobre a quem, de forma diferida, poderia caberia essa intervenção, atrofiado na sua voz.
Hoje, o cidadão constitui o isolamento a sua forma de integração social.
[Que ainda que conducente à sua fragilidade e ao seu - inevitável - desespero, tanto o seduz pela ociosidade como lhe surge difuso na anestesia pop do mediatismo e do consumo.]
E, desenraizado, perde os seus referenciais. O seu contexto, a sua identidade e o seu auto-respeito.
Perde a noção de uma origem e de um futuro colectivos - cuja alusão o enchem de um espanto genuíno e de uma indiferença exuberante, nascidos da ignorância, da inconsciência e do orgulho.
Perde o sentido da sua existência.
E está pronto para a ceifa.
Quando o Presidente da República promulga o decreto-lei que permitirá a instalação de chips (...não, não são batatas!) em todos os veículos motorizados, sob pretextos de "facilitar o trabalho das forças de segurança, que terão acesso à informação sobre inspecção periódica e seguro automóvel", "permitir o reconhecimento de veículos acidentados e abandonados" e "ser utilizado na cobrança de portagens e outras taxas rodoviárias", "entende que as dúvidas relativas à reserva da intimidade da vida privada podem ser resolvidas pelo Governo".
Ora, tanto os motivos alegados estão pela insignificância cobertos de ridículo, como o laçarote formal dado à ameaça da privacidade dos cidadãos acrescenta à estupefacção toda a repulsa possível.
Para a sua vigilância.
Para a sua indexação.
Para o seu arquivamento metódico.
Para a sua consulta cirúrgica.
Nem motivo plausível, nem justificação aceitável.
Só numa Nação em que mais por folclore que por convicção se desfraldam os pendões da luta democrática, se admite que se venda em hasta a liberdade de agir do cidadão.
...Porque é dela que se trata!
Se alguém não é livre no resguardo dos seus movimentos, é coarctado neles.
E quando a segurança dos cidadãos é prometida às mãos - não só dos políticos, mas - de um "Governo" que nasceu e vive sob o signo da manipulação, todo o alarme social seria justificado...
...Não fosse já o alarme social o último ingrediente necessário ao caldo da desarticulação da cidadania.
Cidadãos entorpecidos, superficiais e impotentes, não necessitam senão de um empurrão para que aos seus olhos qualquer fórmula manhosa de salvamento seja providencial.
"A criminalidade crescente requer actos radicais."
[Aterrorizar/controlar. Enfraquecer/dominar.]
Primeiro, sob o olhar de uma câmara indiscreta, omnipresente, em circuito fechado paternal sobre o homem...
...Depois, sob uma mesma câmara, fria e penetrante, cerrado no abraço esmagador de um círculo fechado sem apelo.
("Tal e qual como nos States..." - Pela boca tantos morrem...)
Tal como no livro de Orwell.
Mas contra a probabilidade, parece ter aparecido quem ouvisse a notícia.
Quem se pusesse a pensar e tirasse conclusão.
Parece que até houve mesmo alguém com opinião. E que ousou partilhá-la.
E que na largura da net chamou outros a fazê-lo.
...E que de novo mostrou que isso é fácil e é fértil.
Não fui eu, mas aderi. Porque o medo e a revolta também os transporto em mim.
Por mim, por quem passa a meu lado, por aqueles que me seguem e pelos que hão-de vir...
Porque o desgosto galopante de viver no idiotismo também me revolta as entranhas!
Por continuar a crer que a corja que nos apouca nada pode contra nós.
Queiramos. Façamos. Ousemos.
E ser livre pode ser já.
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29/08/08
Idiotas Chipados
20/07/08
Se Querem Que Eu Vos Conte
Posso? Agora?...
Querem que eu conte?
Tem sido bem divertido ver aparecer na boca dos génios do pensamento as palavras "Quinta da Fonte".
Divertido. Surrealista.
Quando a Fernanda Câncio - sim, essa - fala da Fonte, ponho-me eu a pensar: "Ah, pois, ela sabe do que fala, que a sua santa avozinha morava lá num T2."
Ou o António Vitorino - "Ah, sim, a caminho das Assembleias Gerais do Santander-Totta é vê-lo a beber mines no Café Mourão."
Ou o Marcelo Rebelo de Sousa. Que como qualquer mortal também tem Google Earth em casa, o que lhe dá alguma noção de para que lado é que a Fonte fica.
Eu sei um pouco do que falo.
Eu sei onde é e o que é a Quinta da Fonte.
...Eu, o Geolouco, a MaisDia, o Jaime, a Loba, a AbelhaMaia, a I.R., o F.F. e tantos outros compadres a quem por razões que nós sabemos tiro o meu chapéu.
Já passei três vezes pela E.B. 2,3 do Alto do Moinho e uma pela famosa - e até polémica -E.B. 2,3 da Apelação.
O que me fez ir ao baú repescar o Projecto Educativo da E.B. 2,3 da Apelação, cuja elaboração coordenei em 2000, com base na informação oficial disponível à altura.
Dizia então o Projecto Educativo, na "Caracterização do Meio Escolar"...
«A FREGUESIA DA APELAÇÃO:
O nome “Apelação” parece ter a sua origem numa peste ocorrida há vários séculos em Lisboa e arredores. A população veio refugiar-se neste lugar, que não estava afectado, “apellando” à protecção de Nª Sr.ª da Encarnação. Passou a freguesia em 1594. [...]
Em 1991, segundo o censo efectuado, tinha 3419 habitantes. Com base na actualização dos cadernos eleitorais de 1998, calcula-se que a população da Freguesia seja de 9000 habitantes, tendo já em atenção os novos realojamentos da Quinta da Fonte. A Freguesia da Apelação tem uma elevada densidade populacional, sendo superior à média do Concelho, [...] com forte grau de urbanização. [...]
Praticamente não há população a trabalhar no sector primário, no entanto o sector secundário ocupa 51,6% e o terciário 46,9%. Predominam os operários industriais, tendo grande peso os indiferenciados – as actividades ligadas aos serviços pessoais e domésticos absorvem um grande número de postos de trabalho.
OS BAIRROS DA APELAÇÃO[...]
O BAIRRO DA QUINTA DA FONTE
A Urbanização da Quinta da Fonte é um empreendimento composto por um total de 776 fogos, destinados a realojamento. Pertencendo a maioria dos fogos à Câmara Municipal de Loures.
Metade dos residentes são provenientes da freguesia do Prior Velho, do Bairro Tete e da Quinta da Serra. 20% são provenientes da Quinta do Carmo, Freguesia da Portela. Os restantes 30% provêm de outras freguesias. Consequentemente, verifica-se uma grande diversidade socio-geográfica da população residente.
Há que considerar também uma grande diferenciação etnico-cultural que, segundo estudos feitos pela C.M.L., apontam para uma presença de 40% de famílias de etnia africana, 39% de famílias de etnia cigana e 21% de etnia branca. Numa análise por nacionalidade dos indivíduos residentes, predomina a nacionalidade portuguesa (71%), embora coabite com diferentes outras: cabo-verdiana, guineense, são-tomeense.
Segundo os mesmos estudos, a população idosa representa apenas 4% do total de indivíduos e 79% da população tem até 34 anos.
É de salientar que se verificam baixos escalões de rendimento, nomeadamente devido ao fraco grau de escolaridade, às baixas qualificações profissionais, ao desemprego e vínculo laboral precário. Numa análise por agregado familiar, o escalão de rendimento mais representativo é o de 55.000$ - 100.000$00. [...]
A população activa desenvolve a sua actividade profissional na venda ambulante (maioria), na construção civil e em actividades ligadas a serviços domésticos e de limpeza.»

Um caldo inconsistente que fervia já assim há quase dez anos atrás...
Querem que eu conte?
Tem sido bem divertido ver aparecer na boca dos génios do pensamento as palavras "Quinta da Fonte".
Divertido. Surrealista.
Quando a Fernanda Câncio - sim, essa - fala da Fonte, ponho-me eu a pensar: "Ah, pois, ela sabe do que fala, que a sua santa avozinha morava lá num T2."
Ou o António Vitorino - "Ah, sim, a caminho das Assembleias Gerais do Santander-Totta é vê-lo a beber mines no Café Mourão."
Ou o Marcelo Rebelo de Sousa. Que como qualquer mortal também tem Google Earth em casa, o que lhe dá alguma noção de para que lado é que a Fonte fica.
Eu sei um pouco do que falo.
Eu sei onde é e o que é a Quinta da Fonte.
...Eu, o Geolouco, a MaisDia, o Jaime, a Loba, a AbelhaMaia, a I.R., o F.F. e tantos outros compadres a quem por razões que nós sabemos tiro o meu chapéu.
Já passei três vezes pela E.B. 2,3 do Alto do Moinho e uma pela famosa - e até polémica -E.B. 2,3 da Apelação.
O que me fez ir ao baú repescar o Projecto Educativo da E.B. 2,3 da Apelação, cuja elaboração coordenei em 2000, com base na informação oficial disponível à altura.
Dizia então o Projecto Educativo, na "Caracterização do Meio Escolar"...
«A FREGUESIA DA APELAÇÃO:
O nome “Apelação” parece ter a sua origem numa peste ocorrida há vários séculos em Lisboa e arredores. A população veio refugiar-se neste lugar, que não estava afectado, “apellando” à protecção de Nª Sr.ª da Encarnação. Passou a freguesia em 1594. [...]
Em 1991, segundo o censo efectuado, tinha 3419 habitantes. Com base na actualização dos cadernos eleitorais de 1998, calcula-se que a população da Freguesia seja de 9000 habitantes, tendo já em atenção os novos realojamentos da Quinta da Fonte. A Freguesia da Apelação tem uma elevada densidade populacional, sendo superior à média do Concelho, [...] com forte grau de urbanização. [...]
Praticamente não há população a trabalhar no sector primário, no entanto o sector secundário ocupa 51,6% e o terciário 46,9%. Predominam os operários industriais, tendo grande peso os indiferenciados – as actividades ligadas aos serviços pessoais e domésticos absorvem um grande número de postos de trabalho.
OS BAIRROS DA APELAÇÃO[...]
O BAIRRO DA QUINTA DA FONTE
A Urbanização da Quinta da Fonte é um empreendimento composto por um total de 776 fogos, destinados a realojamento. Pertencendo a maioria dos fogos à Câmara Municipal de Loures.
Metade dos residentes são provenientes da freguesia do Prior Velho, do Bairro Tete e da Quinta da Serra. 20% são provenientes da Quinta do Carmo, Freguesia da Portela. Os restantes 30% provêm de outras freguesias. Consequentemente, verifica-se uma grande diversidade socio-geográfica da população residente.
Há que considerar também uma grande diferenciação etnico-cultural que, segundo estudos feitos pela C.M.L., apontam para uma presença de 40% de famílias de etnia africana, 39% de famílias de etnia cigana e 21% de etnia branca. Numa análise por nacionalidade dos indivíduos residentes, predomina a nacionalidade portuguesa (71%), embora coabite com diferentes outras: cabo-verdiana, guineense, são-tomeense.
Segundo os mesmos estudos, a população idosa representa apenas 4% do total de indivíduos e 79% da população tem até 34 anos.
É de salientar que se verificam baixos escalões de rendimento, nomeadamente devido ao fraco grau de escolaridade, às baixas qualificações profissionais, ao desemprego e vínculo laboral precário. Numa análise por agregado familiar, o escalão de rendimento mais representativo é o de 55.000$ - 100.000$00. [...]
A população activa desenvolve a sua actividade profissional na venda ambulante (maioria), na construção civil e em actividades ligadas a serviços domésticos e de limpeza.»

Uma povoação centenária de perfil rural avassalada nos anos 90 pela implantação de um maciço populacional edificado; uma sub-sociedade implantada mas não harmonizada ou integrada que desde então tentou o equilíbrio da influência e dos espaços; uma força de trabalho desqualificada terrivelmente vulnerável à instabilidade socio-económica; uma comunidade com as virtudes e os vícios de uma juventude em risco.
Agora, tiros, agitação, choque das boas consciências.
Pude dizer no outro dia, no Fórum TSF, que antes de tudo há na discussão superficial da Fonte muita contaminação por asneira (talvez deliberada).
1º - "Esta foi uma rixa pontual. Apesar das tensões vividas no bairro, este é um cenário atípico."
Não, não é. Sei-o e afirmo-o. E mesmo quem fingisse que não o saber não poderia iludir notícias como as de Março do ano passado, com "carros incendiados e tiros disparados" na Fonte, por "jovens", durante a noite.
2º - "Estes foram desacatos provocados por desavenças entre vizinhos, que como problemas pessoais não podem confundir-se com choques rácicos."
De facto não podem. Mas porque os conflitos raciais descambam em tiroteio e as "desavenças" acabam como há algum tempo atrás com uma larga saída da urbanização de ciganos desavindos entre si.
3º - "Os moradores da Fonte são vítimas da sociedade."
Em certa medida. Apenas.
O realojamento destes moradores foi feito em condições sociais a muitos títulos condenáveis. Mas não é menos verdade que foram - em grande parte - resgatados da miséria sanitária da vida que levavam em bairros de lata.
Atingido por estes um patamar de condições básicas de vida, competia-lhes - bem entendido, aos que nunca o fizeram - lutar pela fuga a uma dependência crónica dos rendimentos garantidos que eu pago (90% desta população, avançaram os jornais).
A actividade da(s) "venda(s) ambulante(s)" de ciganos não os auto-qualifica para exigir o que alguns moradores esforçados e honrados (ciganos ou não) exigem ao poder tutelar.
A importação a grosso de famílias africanas - com a conivência de um Estado relapso - até ao vigésimo grau de parentesco, para fogos e urbanizações que não expandem, não revela qualquer capacidade da parte deste grupo social de conceber para si mesmo um plano integrador na sociedade com condições mínimas de bem-estar.
...E miúdos que vão à escola receber a única refeição decente do dia, apenas senhas para o passe, o apoio financeiro da Acção Escolar, uma palavra de conforto, o conselho básico de higiene, são factos diários que competiria a estes grupos acautelar.
Dar o peixe e a cana e pôr a mesa e pré-mastigá-lo e vê-lo ficar na borda do prato? É demais.
4º - "O poder político tem estado atento ao isolamento social."
Em situações destas apenas releva se o problema está resolvido ou não.
Se em Loures o Presidente da Câmara foi politicamente colhido pela situação como que por um touro, também merece o que lhe acontecer. Dizer que lhe tem dado "atenção muito especial" é não dizer nada. Confessar-se "convencido que alguns problemas que surgiram no início do realojamento dos habitantes da Quinta da Fonte estavam solucionados" é invocar uma inadmissível ignorância. Recordar que "há pouco tempo numa festa na Quinta da Fonte [...] tudo estava tranquilo e pacífico" é de uma pobreza demolidora.
Se o Presidente da República vai à Apelação para as fotos e para as palmas validar a mudança da realidade, é ele que leva os tiros que só resvalam nele pela baixíssima qualidade da nossa imprensa. A intervenção dos jovens é fulcral, mas "têm conseguido melhorar o ambiente na freguesia e no bairro da Quinta da Fonte"? Dependerá deles? E que prtessão tem feito o PR para provocar respostas eficazes?
Se o ex-PR Jorge Sampaio diz com o descaramento superior de um Presidente da Aliança para as Civilizações da ONU que "os eventos ocorridos neste bairro não surpreendem pelos problemas que se vêem há alguns anos relacionados com habitação, escolaridade, segurança social e apoio social e profissional destas pessoas", importa confrontá-lo com os dois mandatos na Presidência e a mesma questão que se coloca a Cavaco Silva.
E sobre as culpas dos Governos sucessivos?, e sobre as deste "Governo"... tanto haveria a dizer.
E o resultado é que como sempre estamos desamparados, estamos sós, estamos mal conduzidos e mal defendidos pelos nossos eleitos.
Como sempre todos são vítimas e ninguém é culpado de nada.
Como sempre a "informação" é espectáculo, mais que responsabilidade. E as tretas derrubam qualquer resistência - dizia a Governadora Civil de Lisboa "Será dado tempo às partes para se acalmarem"...
Como sempre a Natureza se encarregará de encontrar uma solução.
neste caso como a do organismo preponderante englutir um menor.
Não quer dizer é que vamos no caminho certo.
Ou em qualquer caminho que seja.
Apenas o de deixar a Natureza englutir grupo a grupo entre si, até à aniquilação total.
Única coisa que cinicamente se aproveita: a bofetada àqueles que maquinalmente apelidam tudo e todos de "racista" por mera expressão de opinião franca.
Esses andam caladinhos, depois do deboche verbal dos últimos dias trocado entre "os ciganos" e "os pretos".
A este assunto, ainda se há-de voltar.
Por força das circunstâncias.
Como sempre todos são vítimas e ninguém é culpado de nada.
Como sempre a "informação" é espectáculo, mais que responsabilidade. E as tretas derrubam qualquer resistência - dizia a Governadora Civil de Lisboa "Será dado tempo às partes para se acalmarem"...
Como sempre a Natureza se encarregará de encontrar uma solução.
neste caso como a do organismo preponderante englutir um menor.
Não quer dizer é que vamos no caminho certo.
Ou em qualquer caminho que seja.
Apenas o de deixar a Natureza englutir grupo a grupo entre si, até à aniquilação total.
Única coisa que cinicamente se aproveita: a bofetada àqueles que maquinalmente apelidam tudo e todos de "racista" por mera expressão de opinião franca.
Esses andam caladinhos, depois do deboche verbal dos últimos dias trocado entre "os ciganos" e "os pretos".
A este assunto, ainda se há-de voltar.
Por força das circunstâncias.

Continentes à Deriva
*Governo* Socialista,
Ainda Sampaio?,
Aqui por Loures,
Coutada do pensamento,
Este blog,
Patriotismo,
Presidente Cavaco,
Prof. Martelo,
Sociedade da Nação
04/07/08
Para a Tralha Cavaquista, Daqui Vai...
...Um Sentido Pontapé!
Saiu para os escaparates um rolo de papel de folha simples sobre o percurso do político e do Homem que se fartou de bulir para cá chegar. (Confira-se o site da FNAC.)
"Cá", à política, a Lisboa, ao sucesso, ao Governo, ao zénite do superior pensamento da Nação.
(Coitadinho, o que ele moirou para vingar desfavorecido na Beira..., o que ele batalhou para singrar sozinho na esfera do PS da metrópole..., o que ele suou para se formar no académico que é hoje..., o esforço que foi arrancar o seu poder actual às mãos aferrolhadas de Santana Lopes..., os tormentos que passa ainda agora, coitadinho, com uma imprensa tão atenta, isenta e agressiva...
Coitadinho...)
Por isso, para tal alma tudo é pouco.
Coube o frete..., isto é, a distinção, à sub-directora da Antena1, a jornalista Eduarda Maio, de quem até gosto.
...Que mais ou menos nos termos que se esperava explicou - em longos seis minutos - à RTP (!!!) o processo de postura da obra.
Como as dez horas de entrevista com o protagonista da "biografia não autorizada".
Como a extenuante pesquisa sobre a longa vida de salientes concretizações do "Menino de Ouro do PS" - termo da autoria de terceiros e que por isso não compromete a imparcial e inócua obra literária!
Mas ainda que triste, não é esta a parte mais lamentável.
Foram mais reveladores os próprios detalhes do parto do opúsculo.
Numa comovente cena de Natividade, vieram reunir-se em redor do Menino (de Oiro) os Reis Magos da nata VIP que pelas heterogéneas razões que lá saberão trouxeram os incensos e as mirras que lançaram na farta molhada das oferendas da circunstância.
Um deles: Dias Loureiro.
(...É difícil conciliar o reconhecimento da liberdade individual e universal de falar e agir de cada um com a censura e o asco que me sufocam e se me moldam em palavras... mas paciência.)
Cada vez mais me ocorre a expressão usada por Vicente Jorge Silva - então recém-convertido à rosa - quando um dia julgou (e bem) ver regressar à política, depois do flop, o cortejo inevitável dos que apelidou de "tralha guterrista".
...Ocorre-me a expressão, adaptada pelos tempos para a "tralha cavaquista".
Cada vez mais o aluvião do Rio Cavaco se revela um espessante poderoso do caldo barrento em que involuntariamente nadamos.
Cada novo rosto laranja que se reencontra, cada nova individualidade que sobressai e reforça posição no laranjal ou no Nacional Rectângulo, uma velha memória comum de colaboração política no Governo de um Cavaco-Primeiro; hoje um Cavaco-Sombra mais abrangente e tentacular que o que o seu magistério prevê, do que a sua amorfa prática sugere.
Cavaco Silva, o magnificamente sereno Presidente da República, monarca de cognome "O Inútil" (esta paga direitos ao Kaos), o "Cooperante Estratégico" com a farsa governativa, ainda assim não dorme.
E segundo um plano antigo e abrangente, os seus tentáculos penetram na sociedade influenciando-a, controlando-a, manietando-a.
Dir-me-á alguém que sempre assim foi e sempre assim será...
Que o polvo soarista ainda aí está para lavar e durar. Que o sampaísta idem. Que o "-ista" agarrado a este ou agrafado àquele - fremente, sôfrego, subalterno, parasita - é uma fatalidade da política e da sociedade...
Seja-o.
Mas que não seja menor a inevitabilidade de o denunciar, quem o ache o insulto e a perversão que configura.
Porque não façamos confusões.
Cavaco Silva foi o maior Primeiro-Ministro que este País já teve. E sem parecenças de vir a perder o galardão para qualquer outro nas próximas décadas.
E a quem a razão não se encontre politicamente toldada, aconselha-se a leitura do laudatório "As Reformas da Década", onde os mais esquecidos poderão sempre recordar o percurso de um Portugal-Cavaco - saído de 40 anos de subdesenvolvimento e mais dez de bagunça revolucionária de plantar de estaca - que se actualizou, modernizou e dignificou perante si mesmo.


...Apenas as geniais palavras que serviram para caracterizar Mário Soares ("É um animal político, não é um animal ético.") se vão aplicando ao discreto algarvio pacato e competente.
Cavaco, afinal, tinha "uma agenda". Sua.
Um plano. Para si.
Um projecto e um propósito individuais de alcance duvidoso.
Tendo sido a corrida à Presidência a evidenciá-lo. Ao colocar-se acima e além de tudo.

Cavaco, afinal, tinha "uma agenda". Sua.
Um plano. Para si.
Um projecto e um propósito individuais de alcance duvidoso.
Tendo sido a corrida à Presidência a evidenciá-lo. Ao colocar-se acima e além de tudo.
E quando um Barão-Laranja Dias Loureiro se presta à dupla vassalagem de patrocinar o lançamento de um já miseravelmente propagandístico "O Menino de Ouro do PS", ocorre a cada um de nós que nada é por acaso.
Disse que Sócrates "faz bem ao País", pelo seu optimismo.
Disse que Sócrates "emociona" pelo "lado dos afectos", pelo "amor pela sua terra", pelos "valores que o amarram à vida". Disse da sua "enorme generosidade", "sensatez e prudência". Das suas qualidades de "coragem" de "homem trabalhador".
Disse que Sócrates, "tal como Tony Blair" "é infatigável". Que com a sua "coragem", "capacidade de liderança" e "capacidade estratégica" está "muito longe de estar acabado"...
...E eu sinto, em partes iguais, desnorte e vergonha.
E se aparecem umas aves raras - por exemplo Paulo Teixeira Pinto (lá estão eles...) - a dizer coisas tão convenientes como que a «dicotomia “nós” e “eles” [é] "péssima" para o país», porque "cria descrédito" e "ajuda a minar o apoio social que as políticas possam ter", é um pouco mais que suspeito.
Enquadra-se no estilo-neutro da Presidência, no estilo-suave da oposição laranja, no estilo-morto do espírito crítico dos moradores da Nação.
Que o PS e o PSD andam no alterne (ou alternância) político (-a, ou lá como se chama), gostaria de ver alguém reconhecer.
Que os pequenos partidos políticos apenas esperam para a sua sobrevivência ou um lugar à mesa grande ou que o circo pegue fogo de vez para correrem de baldinho, seria giro ver assumir...
Até lá, não me gozem. Não me insultem.
E se as tralhas partidárias se afastarem demasiado da realidade do País, estará na hora de uma reacção do País e dos Portugueses. De uma mudança.
Por isso, do fundo do meu coração laranja, para a tralha cavaquista, daqui vai... um sentido pontapé!...
Disse que Sócrates "faz bem ao País", pelo seu optimismo.
Disse que Sócrates "emociona" pelo "lado dos afectos", pelo "amor pela sua terra", pelos "valores que o amarram à vida". Disse da sua "enorme generosidade", "sensatez e prudência". Das suas qualidades de "coragem" de "homem trabalhador".
Disse que Sócrates, "tal como Tony Blair" "é infatigável". Que com a sua "coragem", "capacidade de liderança" e "capacidade estratégica" está "muito longe de estar acabado"...
...E eu sinto, em partes iguais, desnorte e vergonha.
E se aparecem umas aves raras - por exemplo Paulo Teixeira Pinto (lá estão eles...) - a dizer coisas tão convenientes como que a «dicotomia “nós” e “eles” [é] "péssima" para o país», porque "cria descrédito" e "ajuda a minar o apoio social que as políticas possam ter", é um pouco mais que suspeito.
Enquadra-se no estilo-neutro da Presidência, no estilo-suave da oposição laranja, no estilo-morto do espírito crítico dos moradores da Nação.
Que alguém chegasse um dia a assumir que não existem diferenças entre os partidos, seria de louvar.
Que os pequenos partidos políticos apenas esperam para a sua sobrevivência ou um lugar à mesa grande ou que o circo pegue fogo de vez para correrem de baldinho, seria giro ver assumir...
Até lá, não me gozem. Não me insultem.
E se as tralhas partidárias se afastarem demasiado da realidade do País, estará na hora de uma reacção do País e dos Portugueses. De uma mudança.
Por isso, do fundo do meu coração laranja, para a tralha cavaquista, daqui vai... um sentido pontapé!...
Continentes à Deriva
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Sociedade da Nação
29/06/08
Exames Nacionais do Ensino Básico
ou, "Com A Mão na Massa"
"Lá vem a nau Catrineta
Que tem muito que contar!
Preparai-vos oh senhores,
P'ra uma história de pasmar.
Passava já uma semana
Que ia na volta do mar,
Não tinha mais a fazer
Ou p'ra onde se virar,
Enrolada naquele molho
Do fingir de ensinar.
Mas a vontade era rija,
Não a puderam dobrar.
Que se está votada à sorte
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Uma tal de Educação
27/06/08
Acabar Com os Ricos II
E neste processo revolucionario-milagreiro educativo há mesmo duas barricadas - chamemos-lhes... maneiras de o encarar.
Barreiras cada vez mais nítidas na exuberância com que um dos partidos da questão tentam enfiar boca-a-baixo a sua mistela.
Há dias a senhora Ministra da Educação correu o risco mal calculado de ir à SIC, em directo, ser entrevistada por um Bento Rodrigues que não esteve para lhe servir papinhas e a mandou eficazmente contra a parede por mais que uma vez, sentenciar sobre os resultados de Provas e Exames.
Negando a pés juntos o alegado crescente facilitismo do ME, explicou que perante uma prova "usam-se técnicas estatísticas para avaliar a complexidade [...]. E quando apenas 5% dos alunos conseguem completar a totalidade da prova com êxito, isso diz tudo, ou alguma coisa".
Isto é, se numa prova hipotética de questões do tipo "Gostas mais de carne ou de peixe?" 95% dos alunos não fossem capazes de responder a uma última: "Em que está a Ministra a pensar neste momento?", reservada naturalmente aos 5% de alunos com poderes paranormais, a prova seria classificada decerto como de considerável dificuldade global!...
Foi bom de ver a dificuldade com que a senhora está em engolir o petisco que optimista sonhou digerir no refestelo da 5 de Outubro com a sua congregação...
Apesar do tom auto-suficiente da entrevista.
Dificuldade desesperada que levou a senhora a calcorrear de novo as ruas da demência e do desprezo, já percorridas muitas vezes durante o seu mandato.
Perante a questão desconcertante do entrevistador, "se estariam os nossos alunos a estudar mais ou as provas do Ministério a ser mais fáceis", e face a opiniões dos craques da Matemática nacional, a Ministra da Educação deu com uma questão a resposta inimaginável:
"NÓS SABEMOS O QUE SE PASSA COM A MATEMÁTICA?"
Da boca da Ministra, num socratismo fora de tempo, foi posta a possibilidade de nada sabermos - isto é, de nestes anos todos do seu mandato ela mesma não se ter mexido para saber - "o que se passa com a Matemática".
Absurdo exercício de fuga e negação...
Mas foi mais longe, desorientada pela questão das queixas de impreparação dos jovens pela boca dos professores do Ensino Superior.
"AQUILO QUE É EXIGIDO CONHECER-SE COMO COMPETÊNCIAS BÁSICAS A MATEMÁTICA E A LÍNGUA PORTUGUESA, AS NOSSAS CRIANÇAS DO QUARTO ANO DE ESCOLARIDADE [CONHECEM-NAS]".
"NÃO É AS QUE ESTÃO A ENTRAR PARA A UNIVERSIDADE".
"SE AS CRIANÇAS NÃO CONTINUAREM A TRABALHAR DEPOIS DOS 10 ANOS O PORTUGUÊS E A MATEMÁTICA... NÃO HÁ MILAGRES, VÃO COM CERTEZA REGREDIR..."
Fora o absurdo das "competências básicas que se conhecem", terminologia de uma cientificidade de vão-de-escada, fica a afirmação de que no percurso escolar dos jovens portugueses, desde os dez anos até à faculdade, é sempre a regredir.
E no exercício, já tão bem conhecido de todos, de desprezo por qualquer profissional que atravessado no seu caminho lhe aligeire o fardo da má-consciência ou da má publicidade, depreende-se que a regressão fica a dever-se à - má - qualidade do trabalho que se realiza nas escolas de 2º e 3º Ciclos e Secundárias, que dão cabo dos nossos meninos...
E porque não ir ler o Pisa com atenção? Mesmo que fossem só os bonecos a cores; que já lhe davam uma certa ideia...



Barreiras cada vez mais nítidas na exuberância com que um dos partidos da questão tentam enfiar boca-a-baixo a sua mistela.
Há dias a senhora Ministra da Educação correu o risco mal calculado de ir à SIC, em directo, ser entrevistada por um Bento Rodrigues que não esteve para lhe servir papinhas e a mandou eficazmente contra a parede por mais que uma vez, sentenciar sobre os resultados de Provas e Exames.
Negando a pés juntos o alegado crescente facilitismo do ME, explicou que perante uma prova "usam-se técnicas estatísticas para avaliar a complexidade [...]. E quando apenas 5% dos alunos conseguem completar a totalidade da prova com êxito, isso diz tudo, ou alguma coisa".
Isto é, se numa prova hipotética de questões do tipo "Gostas mais de carne ou de peixe?" 95% dos alunos não fossem capazes de responder a uma última: "Em que está a Ministra a pensar neste momento?", reservada naturalmente aos 5% de alunos com poderes paranormais, a prova seria classificada decerto como de considerável dificuldade global!...
Foi bom de ver a dificuldade com que a senhora está em engolir o petisco que optimista sonhou digerir no refestelo da 5 de Outubro com a sua congregação...
Apesar do tom auto-suficiente da entrevista.
Dificuldade desesperada que levou a senhora a calcorrear de novo as ruas da demência e do desprezo, já percorridas muitas vezes durante o seu mandato.
Perante a questão desconcertante do entrevistador, "se estariam os nossos alunos a estudar mais ou as provas do Ministério a ser mais fáceis", e face a opiniões dos craques da Matemática nacional, a Ministra da Educação deu com uma questão a resposta inimaginável:
"NÓS SABEMOS O QUE SE PASSA COM A MATEMÁTICA?"
Da boca da Ministra, num socratismo fora de tempo, foi posta a possibilidade de nada sabermos - isto é, de nestes anos todos do seu mandato ela mesma não se ter mexido para saber - "o que se passa com a Matemática".
Absurdo exercício de fuga e negação...
Mas foi mais longe, desorientada pela questão das queixas de impreparação dos jovens pela boca dos professores do Ensino Superior.
"AQUILO QUE É EXIGIDO CONHECER-SE COMO COMPETÊNCIAS BÁSICAS A MATEMÁTICA E A LÍNGUA PORTUGUESA, AS NOSSAS CRIANÇAS DO QUARTO ANO DE ESCOLARIDADE [CONHECEM-NAS]".
"NÃO É AS QUE ESTÃO A ENTRAR PARA A UNIVERSIDADE".
"SE AS CRIANÇAS NÃO CONTINUAREM A TRABALHAR DEPOIS DOS 10 ANOS O PORTUGUÊS E A MATEMÁTICA... NÃO HÁ MILAGRES, VÃO COM CERTEZA REGREDIR..."
Fora o absurdo das "competências básicas que se conhecem", terminologia de uma cientificidade de vão-de-escada, fica a afirmação de que no percurso escolar dos jovens portugueses, desde os dez anos até à faculdade, é sempre a regredir.
E no exercício, já tão bem conhecido de todos, de desprezo por qualquer profissional que atravessado no seu caminho lhe aligeire o fardo da má-consciência ou da má publicidade, depreende-se que a regressão fica a dever-se à - má - qualidade do trabalho que se realiza nas escolas de 2º e 3º Ciclos e Secundárias, que dão cabo dos nossos meninos...
E porque não ir ler o Pisa com atenção? Mesmo que fossem só os bonecos a cores; que já lhe davam uma certa ideia...

clicar p/ aumentar - fonte: Relatório Pisa; 2006 ( a ler, mesmo!!... )

clicar p/ aumentar - fonte: Relatório Pisa; 2006 ( ...mesmo, mesmo!! )
No Ensino Português (pré-Milagre), não sendo nenhuma avaria nem surpresa, a literacia nos domínios da Matemática e do Português são crescentes durante a escolaridade dos jovens.
Pelo menos desde 2000. Pelo menos até 2006!
A solidez de uma "verdade" boçal, criada de circunstância, à la minute, muleta para amparar um esquema de pensamento improvisado mas rígido, imagem de uma marca!
Pelo menos desde 2000. Pelo menos até 2006!
A solidez de uma "verdade" boçal, criada de circunstância, à la minute, muleta para amparar um esquema de pensamento improvisado mas rígido, imagem de uma marca!

Mas a fuga continua. Sempre. Desembestada. Em frente.
E se a propósito da facilidade das várias provas de anos e ciclos na boca de jovens em êxtase o entrevistador comenta "Eu não me lembro dos meus exames serem 'fáceis demais'!", resta a fuga para o beco.
A fuga para o farol da razão.
E se a propósito da facilidade das várias provas de anos e ciclos na boca de jovens em êxtase o entrevistador comenta "Eu não me lembro dos meus exames serem 'fáceis demais'!", resta a fuga para o beco.
A fuga para o farol da razão.
"HÁ UNS QUANTOS PESSIMISTAS DE SERVIÇO NESTE PAÍS. [...] O PAÍS TEM QUE ESTAR SEMPRE MAL E OS ALUNOS TÊM QUE SER SEMPRE MAUS. QUANDO OS RESULTADOS SÃO POR SI MAUS E REVELAM FRAGILIDADES NO CONHECIMENTO DAS COMPETÊNCIAS, AÍ ESTÁ A PROVA DE QUE O PAÍS ESTÁ MAL. QUANDO MELHORA, COMO O PAÍS NÃO PODE MELHORAR, É PORQUE AS PROVAS ESTÃO ERRADAS."
É verdade que há pessimismo. E que de tão crónico que é nos impede de abandonar o posto - estar de serviço vigilante a esta gente.
É verdade que com gente assim se vai confirmando que o País tem, forçosamente, de estar sempre mal. E que os alunos, como nós os fazemos, sempre maus. Não é opinião, é facto.
É verdade que maus resultados educativos revelaram fragilidades.
E é verdade que melhorias destas, abruptas, sem fundamentos, só podem revelar que, de facto, as provas estão erradas...
Concordo com a Ministra da Educação em cada um destes pontos.
É verdade que há pessimismo. E que de tão crónico que é nos impede de abandonar o posto - estar de serviço vigilante a esta gente.
É verdade que com gente assim se vai confirmando que o País tem, forçosamente, de estar sempre mal. E que os alunos, como nós os fazemos, sempre maus. Não é opinião, é facto.
É verdade que maus resultados educativos revelaram fragilidades.
E é verdade que melhorias destas, abruptas, sem fundamentos, só podem revelar que, de facto, as provas estão erradas...
Concordo com a Ministra da Educação em cada um destes pontos.
Mas não me cheira que a senhora apreciasse essa coincidência.
Por isso creio que continuaremos a divergir.
Mesmo quando a senhora Ministra diz dos "FACTOS CONCRETOS, [COMO] AS HORAS QUE ESCOLAS E PROFESSORES TIVERAM PARA MELHORAR OS RESULTADOS".
Sei falar-lhe da ilusão que é o reforço da leitura em sala de aula, só por si, recuperar resultados de alunos neste intervalo de tempo...
...E da indecente sovinice de um Ministério que regateia crédito horário docente para os apoios em Língua Portuguesa aos alunos que deles precisam.
Como sei falar-lhe de um Plano Nacional da Matemática cujos resultados espelham a sujeiição às mesmas burocracias, às mesmas restrições orçamentais, à mesma engrenagem ministerial castradora de sempre.
Mas isso cheira-me que será assunto para mais tarde.
Continentes à Deriva
*Governo* Socialista,
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Este blog,
O Polvo Unívoco jamais será vencívoco,
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Sociedade da Nação,
Uma tal de Educação
24/06/08
Acabar Com os Ricos I
...O Milagre Educativo Português (com maiúsculas à farta, como convém...).
Orgulho pátrio e esperança em amanhãs que cantam.
Portugal confirma que consegue fazer num ano o que países - chamemos-lhes - normais não lograram senão em gerações.
O Partido Socialista e o "Governo" demonstram que sempre estiveram certos e que o galope desenfreado do decisionismo ministerial não só sabia para onde nos levava - o sucesso educativo da nossa gente - como já lá chegámos.
Aleluia e sai da frente!

Ora, porque me lembrei eu disso outra vez?
Por causa daquela invenção europeia do "Robin Hood" de tirar às petrolíferas as lâminas de gordura que criam de parasitar o cliente, e da intenção do Primeiro-Ministro de ir pensar na questão no que toca a Portugal...
É que eles não sabem que por cá isso já acontece há algum tempo.
Tirar aos ricos, dar aos pobres e tal...
Só que fazendo jus à competência que se lhe conhece o sr. Primeiro-Ministro acaba por ser mais um Dennis Moore, à la Monty Python nos anos 70 (episódio 37 da 3ª temporada), que tira não sabe o quê a não sabe quem, já se tendo esquecido no meio da lufa-lufa do próprio porquê do tirar e do repartir.
Por exemplo na Educação - cá está! - o robinismo deste "Governo" está patente em toda a glória e esplendor.
Perante uma situação como a de 2005 - com "mais de dois terços dos alunos do nono ano" a chumbar no exame de Matemática - ou como a de 2007 - com maus resultados obtidos pelos 1º e 2º ciclos em aspectos centrais de Língua Portuguesa - o "Governo" interveio leonino e anulou as disparidades sociais implícitas nos números.
clicar p/ aumentar - fonte: Relatório Pisa; 2006 ( a ler!!... )
"- Ai o Pisa diz que as condições familiares do aluno têm influência no sucesso?"
Pimba!, nivela.
Resultado: em 2008 o Milagre Educativo Português é tangível.
Nas Provas de Aferição de Matemática do 1º e 2º Ciclos os resultados negativos cairam para menos de metade e as Provas de Língua Portuguesa, não vindo de tão baixo, também arrebitaram.
Seguiram-se os Exames Nacionais de 9ºAno de Matemática e de Português, a que os alunos chamaram um figo.
Por fim, nos Exames de 12º Ano, os alunos repetiram o disco: "que tinha sido com uma perna às costas"!
Robin Hood à solta: levar a todos consoante o seu legítimo desejo.
Claro que há sempre uns chatos - como eu, como outros professores que não gostam de ser papados por lorpas, e muitos cidadãos atentos - para quem tudo tem sempre de fazer um custoso sentido.
(Como se não bastasse já a quem compete produzir resultados maçar-se a produzi-los, ainda teria mais sobre os seus ombros o pincel de explicar ao vulgo a metafísica das suas maravilhosas concretizações...)
...E não faz sentido absolutamente nenhum uma coisa muito singela que salta à vista do observador mais tapado: se as variáveis do jogo educativo se mantiveram - quase - intactas de umas provas para outras, os resultados não teriam condições para uma alteração radical do mau para o óptimo.
Elementar.
Nas escolas continuamos a ter os mesmos alunos com qualidades e vícios, provindos de uma mesma sociedade virtuosa e viciada também ela (na calha da degradação progressiva), trabalhando com os mesmos professores (alguns elevados entretanto à categoria celeste de Titulares), nos mesmos locais, sob as mesmas condições (ah, claro!, agora há uma molhada de computadores que podemos como escravos transportar do cofre para as salas...), à volta dos mesmíssimos programas (...passíveis de beatas "adaptações curriculares"), durante os mesmos anos lectivos, com o mesmo empenho de sempre da parte das criancinhas...
Explicação razoável e empiricamente provada: foram os instrumentos de avaliação que, calibrados de forma diferente, permitiram produzir disparidades gratuitas de resultados!
(Como se não bastasse já a quem compete produzir resultados maçar-se a produzi-los, ainda teria mais sobre os seus ombros o pincel de explicar ao vulgo a metafísica das suas maravilhosas concretizações...)
...E não faz sentido absolutamente nenhum uma coisa muito singela que salta à vista do observador mais tapado: se as variáveis do jogo educativo se mantiveram - quase - intactas de umas provas para outras, os resultados não teriam condições para uma alteração radical do mau para o óptimo.
Elementar.
Nas escolas continuamos a ter os mesmos alunos com qualidades e vícios, provindos de uma mesma sociedade virtuosa e viciada também ela (na calha da degradação progressiva), trabalhando com os mesmos professores (alguns elevados entretanto à categoria celeste de Titulares), nos mesmos locais, sob as mesmas condições (ah, claro!, agora há uma molhada de computadores que podemos como escravos transportar do cofre para as salas...), à volta dos mesmíssimos programas (...passíveis de beatas "adaptações curriculares"), durante os mesmos anos lectivos, com o mesmo empenho de sempre da parte das criancinhas...
Explicação razoável e empiricamente provada: foram os instrumentos de avaliação que, calibrados de forma diferente, permitiram produzir disparidades gratuitas de resultados!
Com os papás (não Encarregados de Educação a sério com que tive o privilégio de trabalhar, mas as CONFAPs e que tais...) a pedir já explicações, um tira-teimas por exemplo através do confronto das notas do M(ilagre do) E(nsino) P(ortuguês), com as classificações da frequência das disciplinas pelos alunos!
(O que, pessoalmente, acho que tanto pode ser esclarecedor como enganador - é que o MEP já enraíza os seus braços fundos em muitas instâncias há muito tempo...)
Idem aspas sobre o Exame de 9º Ano de Matemática, considerado "o mais fácil de sempre"...
Diz de novo a Sociedade Portuguesa de Matemática que «uma questão do grupo III "poderia ser abordada numa aula do 9.º ano e resolvida por considerações de simples bom senso", enquanto outra do grupo II "pouco ou nada avalia em termos matemáticos, testando apenas a destreza no uso da calculadora"».
...Pela primeira vez na memória ficam as declarações bizarras dos alunos que saindo das provas as achavam "mais fáceis que os testes" realizados à disciplina durante o ano!
Mas do mesmo se queixou a Sociedade Portuguesa de Química, tendo criticado a existência de "questões extremamente elementares" no exame nacional de Física e Química A, e declarando depois da sua realização: algumas perguntas "exigem apenas que o aluno saiba ler".
E nem os exames de Português de 12º Ano escaparam.
Críticas também, ainda que não pelo prisma da facilidade, pela crónica falta de acerto do Ministério da Educação nas questões apresentadas e na concepção da prova - por exemplo, desta vez, com referências à zombie-TLEBS que não deveriam ter surgido.
Uma festa.
Para a Ministra, perfeitamente normal.
Pouco interessa que da razia de asneira se passe à razia de flores. As duas anómalas e injustificáveis.
Antes, os alunos pobres de espírito, de vontade ou de oportunidades tendiam a ficar marginalizados por um ensino mainstream que não lhes dava resposta cabal.
Agora caiu sobre eles, mas também sobre todos os outros, o maná equalizador.
O sucesso não "pode" ser de todos, "é" de todos - quase mesmo dos que se recusem a alcançá-lo.
Para acabar com a dificuldade de atingir patamares, destroem-se os patamares.
E onde ontem existia a meta de um resultado - injustamente para alguns uma miragem - hoje não há nada. Não há motivo, não há pretexto, não há propósito para que alguém queira transcender-se e ir a um mais além que é já aqui.
Eis o Dennis Moore-Robin Hood acéfalo.
De cujos actos se retira um proveito nulo.
O caminho para onde vamos
O que no fim nos espera.
...E muitos, muitos portáteis.
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