07/10/07

PRÉMIOS PT - Carapaus de véspera

E o Prémio Perda de Tempo vai para...

Está em cena o espectáculo "Os Melhores Sketches dos Monty Python", no Casino de Lisboa.
(Até vir a mulher da fava rica... Que, chegada ao fim que é a "exposição" dos esfolados que lhe servia de romagem, é possível que o público português sedento de cultura acorra em massa ao show.)

Um espectáculo que por três tipos de razões não me há-de apanhar na plateia.

1ª - A razão clínica.

É um risco incalculado para diafragmas sensíveis assistir a um espectáculo que inclui de uma assentada António Feio, José Pedro Gomes, Bruno Nogueira, Jorge Mourato e Miguel Guilherme.
Exacto...
O Miguel Guilherme, que fazia aquele anúncio tão giro da picadora: "Prrrr!, Prrrr!". Só rir! E que só agrafado ao Herman Com Piada (de antes do caso do Parque e isso...) me lembro de vê-lo ter alguma graça.
O Jorge Mourato, que toda a gente se lembra de fazer aquele seriado na SIC do "Não Há Pai" com a Patrícia Tavares e o falecido Camacho Costa - que era de cortar os pulsos - ou então umas aparições para ganhar côdea naquelas pepinadas de espécies de stand-ups.
O Bruno Nogueira; aquele da publicidade das queimas-das-fitas a apelar ao coma alcoólico, que é um humorista tão giro, assim disforme e tal... É um género...
O António Feio e o José Pedro Gomes, pais do marco da galhofa portuguesa chamado "Conversas da Treta", que tão bons momentos de piadética original nos proporcionaram em televisão. E em filme. E em DVD. E em espectáculo. E em livro. E sabe lá Deus mais quê. E agoram se agarram a - mais - esta tábua de salvação.
Tudo com a chancela de um Nuno Markhl - tipo com um conhecimento médio do mundo do riso bastante acima do normal; porque também a vida dele é essa... - que precisa tanto de ganhar umas coroas como qualquer mortal e acaba a vender spam, "juriando" na "Operação Triunfo" ou a "adaptar" textos dos Monty Python.
Não aguenta tanta jocosidade, um fraco coração!...


(O que leva à...)

2ª - A razão hermenêutica.

O espectáculo "Os Melhores Sketches dos Monty Python", não é composto pelos "melhores sketches dos Monty Python".
E podíamos ficar por aqui. Com exemplo e tudo...

Há - como em tudo - dois tipos de pessoas no mundo: quem conhece os Monty Python e quem não os conhece.
E quem os conhece não faz confusões: este não é um espectáculo com "sketches dos Monty Python".
Pelo que não é admissível anunciar "X" se "X" não passa de uma variante manhosa do próprio "X".
Exemplo: "Eu vi o Pai Natal na rua!" Errado. "Tu viste na rua um senhor com roupas parecidas com as do Pai Natal; que o Pai Natal está no Pólo a abusar dos duendes para ver se tem as prendas prontas a horas." Ou: "Eu sei pintar a Guernica!" Errado. "Qualquer pessoa sabe pintar uma coisa parecida com a Guernica, mas não pode pintar «a» Guernica porque ela já foi pintada por um senhor que chegou primeiro."
Digam os "comentadores" da "arte" o que lhes pagarem para dizer. ("O melhor acontece quando às piadas britânicas se junta a capacidade dos actores nacionais construirem personagens próprias, superando o original", in Correio da Manhã; "Os Melhores Sketches dos Monty Python"- o equivalente em português não lhe fica atrás" in Diário de Noticias).
Assim, a ASAE tinha mais era que fechar a loja de queijo da UAU, apreender o material contrafeito e autuar os prevaricadores.

(O que remete para a...)

3ª - A razão contabilística.

Parece que a quem por lá aparece são pedidos entre €18 e €20 por um lugar sentado - o que até para mim, que não sei fazer contas, é um evidente mau negócio.
Levantar por levantar o rabo do sofá, mais vale na próxima ida ao hiper ou à Fnac vasculhar a zona dos DVDs e comprar a saga completa dos Monty Python.
É que, ao preço de ir a família ao teatro ver uma imitação de papagaio meio morto, pode-se ver em casa as séries todas do "Flying Circus" a menos de €40.
Alguém me dirá que "DVD é DVD" e "o espectáculo é ao vivo"... A esses só digo que agradeço, mas não posso ficar aqui o resto do dia a enumerar vantagens na comparação.

Até porque esta coisa de a gente calçar sapatos dez números acima tem muito que se lhe diga...

Sempre gostava de saber se o Markhl "adaptou" do filme "Meaning of Life" para o espectáculo o sacrílego"Every Sperm Is Sacred", ou os sketches quasi-pornográfico do Reitor ou grotesco do Mr. Creosote...
Se da série "Flying Circus" "adaptou" a canção xenófoba "Never Be Rude to an Arab" ou o tema gay "Lumberjack Song", ou o sketch com o Sr. Hilter e os seus nazis no lar de terceira idade a replanear a conquista da Europa...
Se do filme "Life of Brian" "adaptou" um sketch sobre esquadrões suicidas - já que o tema "Always Look on the Bright Side of Life" do mesmo filme não é cantado no espectáculo por crucificados, mas por 5 tótós em bicha a assobiar...
(...E a lista continuaria extensa.)
Ou se - como prevejo - se limitou a servir uns carapaus fritos de véspera a uma "intelectualidade" que - ele sabe que - mais que omnívora é meramente lambareira.

Nem todos são Monty Python...
(Que ousaram pegar mais ou menos onde quiseram por imperativo criativo, o fizeram com inteligência e graça, e servem hoje de referencial a parasitas artísticos desinspirados.)
...E disso ninguém tem culpa.

Mas não fui eu que puxei o assunto.

- Ficam uns exemplos do que não se encontrará no Casino de Lisboa. -

6 comentários:

joaocquadros@sapo.pt disse...

A escolha dos sketches não pertence ao Markl, mas sim, imagina, aos
Monty Python...Este é um espectáculo escrito e escolhido pelos próprios para ser adaptado a espectáculos por todo o mundo. Mas eles são cuidadosos só cedem os direitos com a garantia que os produtores, os actores e, muito importante, o autor que vai adaptar a peça. As tuas razões para não ires ver a dita dão um excelente sketche sobre alguém que se torna especialista em criticar o que nunca viu. Arranja uma matrícula com -Patético - para eu, a próxima vez que passar por ti na rua, te poder dizer adeus só com dedo.

joaocquadros@sapo.pt disse...

A escolha dos sketches não pertence ao Markl, mas sim, imagina, aos
Monty Python...Este é um espectáculo escrito e escolhido pelos próprios para ser adaptado a espectáculos por todo o mundo. Mas eles são cuidadosos só cedem os direitos com a garantia que os produtores, os actores e, muito importante, o autor que vai adaptar a peça tenham qualidades reconhecidas. As tuas razões para não ires ver a dita dão um excelente sketche, sobre alguém que se torna especialista em criticar o que nunca viu. Arranja uma matrícula com -Patético - para eu, a próxima vez que passar por ti na rua, te poder dizer adeus só com um dedo.

joaocquadros@sapo.pt disse...

A escolha dos sketches não pertence ao Markl, mas sim, imagina, aos
Monty Python...Este é um espectáculo escrito e escolhido pelos próprios para ser adaptado a espectáculos por todo o mundo. Mas eles são cuidadosos só cedem os direitos com a garantia que os produtores, os actores e, muito importante, o autor que vai adaptar a peça tenham qualidades reconhecidas. As tuas razões para não ires ver a dita dão um excelente sketch, sobre alguém que se torna especialista em criticar o que nunca viu. Arranja uma matrícula com -Patético - para eu, a próxima vez que passar por ti na rua, te poder dizer adeus só com um dedo.

pedro_nunes_no_mundo disse...

...E, deixe-me adivinhar: é o mesmo dedo com que o cavalheiro carrega frenético no botãozinho "publicar o seu comentário"!

Acautele-se.
Não vá com esse descontrolo digital acabar por vazar uma vista.

(O que, convenhamos, também daria um óptimo sketch!)

Eduquês disse...

Bom post Pedro! Quanto ao João Quadros, tocaste-lhe na ferida, no Bruno Nogueira...lololol!

trofense disse...

Vê-se logo que nâo foste ver o espectaculo, vi-o 2x e não me arrependo. quanto aos sketch ,para tua informaçao, esta lá o sketch do lumberjack gay, só que em vez de um lenhador é um trolha, a historia da piada no tempo do Hitler com o seus guaradas tambem, o sketch da ultima ceia tambem esta representado, o do papagaio azul, o dos 5 lord ricos....
antes de falar vê as coisas e no fim critrica....