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26/08/08

Pedro Nunes no Mundo Americano

Tenho uma surpresa para todos!

Parece que as regras das eleições americanas mudaram à última da hora!
...E eu decidi avançar.

Agradeço por isso o vosso maior apoio!...

(Apesar de a campanha já não estar a correr nada mal.)










Com uma piscadela de olho ao Retrossexual.

04/07/08

De Novo 4 de Julho



De novo 4 de Julho.
Um pouco por todo o lado.

Por mais que alguém não queira, é Dia da Independência no Mundo.

Porque não depende de que alguém o queira ou não, a partilha de cultura do mundo ocidental com a América.
A identidade comum, a afinidade genética, a sua influência - natural e benéfica - no nosso futuro e nas nossas escolhas.

"Colonização cultural!" denunciada pelos "puros" - débeis de uma cultura por que não se batem e por isso definha e se prostitui fácil - mas verdadeiro e último tampão a uma real revolução cultural hegemónica global.

O Mundo suspenso de uma América de destino duvidoso, de caminho incerto.
Também ela em crise por uma globalização-peste que não cura da alma humana.

Mas o que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 10 de Junho que é hoje o que é?
Mas o que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 25 de Abril que é hoje o que é?
O que tem a ensinar-lhe uma Nação que comemora como o faz um 1 de Dezembro que é hoje o que é?
O que podem censurar-lhe no dia de hoje os anti-americanos do costume?...

...Mas Deus faz as coisas muito bem feitas.
É que - para todos - amanhã já é dia 5.

12/06/08

O Punho Irlandês



"Europa"... "Ser europeu".
Ora aí está uma senhora ideia...

E convindo que não é nova, até tem um certo charme modernista.
A de, num mundo cada vez mais cruel e agressivo, uma galeria de Nações-Benetton-Unidas por um cordão umbilical atarrachado de civilidade, de virtude e de vontade comuns. Salvaguarda de um modo de vida, de uma cultura e de uma identidade partilhados pelos milhares de "irmãos continentais" unidos na segurança, na confiança e na garantias de desenvolvimento e de futuro.

A Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade finalmente estabelecidas de forma universal e perene num continente federado que as viu nascer...

Um quadro florido, em suma.


Acontece que a Europa não é bem isso.

Em rigor, aliás, a Europa não sabe o que é, rejeita a explicação plausível q
ue a resgataria da falta de identidade e antes corre cega e leda para a frente, perseguindo uma utopia - tão fiável como qualquer outra - tornada dogma e fatalidade.

Europa foi raptada por Júpiter. É a última coisa que se sabe dela ao certo
(E mesmo assim parece que isso do "rapto" ainda teve algo d
e consentido...)


Daí para cá, apenas cruzamentos de passagem, apenas paradoxos d
e encontro entre as peças do mosaico cultural de um continente outrora unificado sob Roma.

Principados, reinos, cidades-estado, nações, blocos, confederações,
impérios, desfilaram durante quinze séculos por uma Europa convulsa e disputada a talhões pela força do aço - dentro e fora de portas - muito longe de homogénea, muito longe de tranquila, berço de Guerras Mundiais.


Mas contra todas as expectativas farol hoje autoproclamado da pureza de intenções.
O continente pacífico. O continente civilizado. O continente diplomático. O continente higiénico. O continente cientificamente normalizado.


Nada dessas coisas passadistas e bafientas das matrizes culturais judaico-cristãs ou afins, infiltradas bolorentas nas suas raízes de uma espécie nova de árvo
re, produto de laboratório!
Europa que se fez a si mesma do esboço, nascida de um ponto zero, parida pela mão engenhosa e sábia de sombrios artesãos de uma confraria ex
clusiva.

"Que se a Europa não se une a abafam!..."

Ao ritmo contabilizado do alargamento de base a novos ex-miserandos, convidados à mesa farta que através de passes mágicos se transmutam de mão-de-obra em mercado.
...No que são logo rendidos, por outros que os p
erseguem, até aos confins do terreno, até às portas da Ásia.

Europa do leite e do mel.
A Europa da promessa.


Mas nada se toma sem preço.
E pela mão protectora, maternal e generosa, existe um preço a pagar.

Aceitar a sua lei, aceitar a sua força - maviosa e intoxicante - , depositar-lhe a vontade aos pés perfumados e ungidos da entidade divina que nos salva de nós mesmos.
Da nossa incapacidade, na nossa passividade, da nossa falta de brio. Da nossa falta de honra.

Pouco a pouco, pouco a pouco, o que se nos pede é o sangue, que ainda corre nas veias.
Que ainda faz de nós o que podemos vir a ser.

Que ninguém no-lo merece!
Horda de estranhos passantes.

É útil viver do cinismo. Da chacota e do desdém. (Para alguns lá o será.)
Mas o poder delegado pelo cidadão americano a um Estado ou à Nação, não tem o paralelo possível que já vi tentar montar. Aqui, nesta velha Europa. A mim, ser
vindo de exemplo.

Entalados que vivemos entre a traição a esta Pátria se a colocamos para trás e ao fascismo instantâneo de ousar um dia dizer que estará sempre primeiro.



O Tratado de Lisboa foi grande acontecimento.
Actualização em directo da capacidade dos magos de fingir lutar sorrindo, de fingir mudar mantendo, de fingir dar retirando.
Para o fundo da sacola do que se perde para sempre.

Quando um parceiro de blog escrevia no outro dia sobre o deve e o haver nesta família europeia de primos em décimo grau, foi certeiro e lapidar. Pouco restando a apor.

Cada vez releva menos "aquilo" de "ser português", na cegueira de ser "europeu".
Cada vez releva menos a História que nos precede - mais rica desta
Europa - pesado o beato êxtase de ser parte de uma Europa velha de cinquenta anos.
Haverá quem por nós fale. Quem nos alivie o fardo do contacto com o Mundo - povo de Mar e Viagem. Triste vida. Triste Fado. Vergonha para os que passaram.
Cada vez menos releva que se pense ou se deseje. Que se sonhe ou que se queira. Outros quererão por nós.

Já não temos o que é nosso. Já não mandamos em nós.
Num pesadelo diferido de uma vida delegada.

...E nós sem poder dizê-lo.



Ontem a Irlanda votou - parece que sem convicção (curioso este cancro do não ligarmos a nós, que vai alastrando mais fundo abrindo caminho ao terror...) - o destino da Europa.

A Irlanda, país rafeiro, católico, labrego e sem modos, único que sujeitou ao vexame da pública exibição a imaculada vontade dos cérebros da União.
Que ousou o atrevimento de conferir ao seu povo uma voz sobre o seu destino!

...E nos mantém em suspenso de um último golpe de asa para a cura de uma doença que se persiste em vender como cura de outro mal.


Pode bem ser que aconteça.

Que seja pelo punho irlandês que a Europa conquiste auto-estima e amor-próprio, pela única via possível: o orgulho nacional e a liberdade sem freio para escolher não estar sozinho.

Senão, como utopia, como concepção teórica, nunca deixará de sê-lo.

E quanto menos nascida de um sentimento popular que a baseie, vontade que a sustente, mais e mais estará exposta às suas contradições e suas inatas fraquezas.



11/09/07

O mundo em guerra


Alguns distraídos e mais uma porção de desonestos mantêm-se barricados numa ilha ideal de que o mundo actual não se encontra em guerra...

E confortavelmente, ao não reconhecê-lo, recusam-se a tomar partidos, preferindo entreter-se com jogos florais ideológicos no conforto ocidental.

11 de Setembro.
Hoje, ainda "somos todos americanos"?

15/03/07

Cada vez mais na mesma


O sr. Ministro da Administração Interna "não reconhece qualquer legitimidade ao relatório do Departamento de Estado norte-americano que aponta críticas a Portugal sobre os direitos humanos".

Assim.
Curto e grosso.
Ah pois é!...

Eu ainda pensava, ingénuo, que esta coisa do "não reconheço legitimidade" era um artifício de linguagem parlamentar. Uma entretenga daquelas do "ah e tal... e defesa da honra", para encanar a perna à rã...
Mas venho afinal a saber que no mundo real é alavanca de pensamento e engrenagem de faladura.

Ora o sr. dr. António Costa "não reconhece legitimidades". Restaria saber porquê.

É que se o problema do sr. Ministro é a proveniência do documento que referencia Portugal, fazia melhor em estar calado.
Os Estados Unidos da América, bandidos, cometem atropelos aos direitos humanos? Sim, dizem que sim. E ainda por cima com provas!
Mas por cometerem esses atropelos deixam de ter "legitimidade" para falar sobre o assunto? E é o sr. Ministro que vai decretar quem tem essa "legitimidade" ou não?
Só mesmo na sua cabeça!

Desde há anos e anos que os Reports on Human Rights Practices do Departamento de Estado americano são produzidos e publicitados, incidindo sobre quase 200 países e a forma como aí andam os direitos humanos.
Produzidos pelo de que melhor há no mundo de observatórios multidisciplinares e publicitados como forma de propaganda - claro! - através da qual o governo americano tenta arrolhar as vozes oficiais mundiais sobre as suas próprias más práticas, confrontam o planeta com o facto de supostamente não haver quem possa atirar a primeira pedra à América neste domínio.

Lógica cowboyesca que exactamente o sr. Ministro da Administração Interna compra e cavalga!

Se conseguisse ser mais sério, falaria de outro modo.
Rebateria os dados do relatório americano, descredibilizá-los-ia na sua eventual falta de verdade ou rigor, pô-los-ia na balança com as falhas americanas e responsabilizaria os seus autores por nunca se reportarem (uma curiosidade destes habituais Reports) aos próprios Estados Unidos e (com um pouco de inteligência) faria brilhar o que este fenomenal "Governo" tem feito (??) para salvaguardar os direitos humanos entre portas.

Mas não. "Não reconhece qualquer legitimidade ao relatório." "Os Estados Unidos têm muito que se preocupar com o que se passa no seu país em termos de direitos humanos".
No que se apouca a um infeliz miúdo birrento que no argumento do "quem diz é quem é" encontra o aconchego emocional.

Mas está com azar.
Porque quando cai na asneira de dizer que se ainda forem críticas da Amnistia Internacional ou outra quejanda, "Portugal aceita a avaliação" - assim nem pó, porque "nenhum país tem legitimidade para vir cá avaliar o que é que acontece", muito menos os EUA - dá um tiro nos dois pés.

Num alegre debate sobre o assunto na Sic Notícias - daqueles em que o populacho participa - uma representante da AI disse com todas as letras que a Amnistia reconhece a existência de todos os pecadilhos atribuídos no Report a Portugal (que por acaso já nem são de hoje) !!
A saber: abusos das forças de segurança, más condições das cadeias, recurso excessivo da prisão preventiva e tráfico de mão-de-obra estrangeira e de mulheres.

Portanto, o que é que o sr. Ministro quer fazer? Sacudir a água do capote? Tapar o sol com a peneira? Cegar os lorpas?
Lesse as palavras de Condoleezza Rice na apresentação do Report de 2006 e pusesse a mão na consciência.

"Liberty and human rights require state institutions that function transparently and accountably, a vibrant civil society, an independent judiciary and legislature, a free media and security forces that can uphold the rule of law."

Qual destes tópicos não dava sozinho um blog sobre a tristeza deste País?

Como curiosidade, a Amnistia Internacional...
Que em vez de se pronunciar sobre o Reports on Human Rights Practices sem ser obrigada - o que vem dos EUA tem mesmo peçonha para muita gente! - assobia para o lado e o ignora como se de uma papeleta cujo conteúdo e relevância não lhe tocasse de perto.

Até ao santo dia de hoje, no site da dita, nem uma notícia, nem uma referência, nem uma linkadela ao documento.


Apesar do site apelar obsessivamente - e bem - ao fim da violência sobre as mulheres, tão denunciada pelo Department of State.

A única menção aos EUA foi mesmo a de um médico do exército americano que se recusou a ir para o Iraque e que por isso enfrenta agora a justiça militar do seu país.
"Médico do exército", "recusou-se a ir para o Iraque", "justiça militar".

Grandes causas.
... Causas selectivas.

Estamos cada vez mais na mesma.

10/03/07

Crónica da morte da América

A maior democracia do mundo viu morrer o seu ícone pop.

O Capitão América, abatido a tiro, esvai-se no sangue simbólico de uma Nação, sucumbindo às incessantes investidas dos seus inimigos.

(...Ok, sei que este exercício mental é difícil para muitos que, vivendo num País cujo último ícone patriótico conhecido foi o Zé oitocentista do Bordalo Pinheiro,
nem sabem nem querem saber o que isto é.
Mas esses, façam lá um esforço, ...ou então podem sempre mudar de canal.
De qualquer forma, não é problema meu.)

A notícia da morte partiu dos Estados Unidos e depressa chegou a todo o lado!
Mas por um efeito-dominó que se encarrega de diluir os significados antes deles poderem ser apreendidos, o que nos chega são ecos difusos e não interpretações relevantes do óbito.

Com a II Guerra Mundial a correr no campo de batalha, o nascimento do Capitão América corporizava em 1941 a vontade latente do povo americano de desequilibrar as forças do Eixo, entrando de vez num conflito que não sentiam como uma ameaça exclusiva à Europa.

Foi esse espírito heróico, patriótico e democrático que presidiu ao seu aparecimento.
E que é recuperado até hoje.

Acabada a Grande Guerra, as guerras do Capitão América perderam interesse faltas de um adversário épico à altura, e a personagem acaba por cair num parênteses histórico.

...Até ao crescendo da Guerra Fria.
De novo - titubeantemente em 1953 e em definitivo em 1964 - o Capitão América foi chamado a encarnar nas pranchas os valores do povo americano.

Infelizmente, pelo que isso possa representar do palco mundial, o herói nunca mais desapareceu.
Quer enfrentando ameaças domésticas à paz e à ordem pelas mãos de americanos - fazendo prevalecer o valor primordial do patriotismo...

.
...Quer ameaças estrangeiras ao estilo de vida americano, pelas mãos de inimigos globais - elevando, acima da legitimidade da resposta emotiva, a ética de uma filosofia de civilização.

Os comics sempre foram um espelho mágico, em que a realidade anamorfoseada se reflecte nua. Não só no caso do Capitão América.
Razão pela qual também o cenário de pesadelo americano pós-11de Setembro teve contrapartida directa dos quadradinhos.
Também o "PATRIOT Act", segundo o qual a América aceitou suspender temporariamente a inviolabilidade das suas liberdades cívicas constitucionais em nome da salvaguarda da segurança comum, perante a ameaça terrorista - na vigilância, na investigação, na repressão. Uma América estupefacta e céptica com a cedência nos seus princípios ao jogo do inimigo.

Numa tentativa controlacionista desesperada o Governo dos Estados Unidos produziu o "Superhuman Registration Act", como forma de minorar os potenciais riscos para a segurança interna de uma Nação, provenientes de super-heróis com incontroláveis poderes de destruição maciça.
Segundo o "Registration Act", cada super-herói ficaria obrigado a revelar a identidade secreta, a circular sem máscara e a colocar-se directamente sob o poder federal.
Directivas em que a S.H.I.E.L.D. de Nick Fury se empenhou em fazer cumprir.

Apenas o Capitão América, à cabeça de um grupo de heróis cépticos e perplexos, não aceitou a pretensão do "Registration Act"; eclodindo a Guerra Civil no universo Marvel.

A Nação mais poderosa da Terra.
A maior democracia do mundo.
Dividida no pilar da sua unidade. Sitiada . Receosa. Perplexa e confusa.
...Nos comics e não só.

Tempo de decisões patrióticas e abnegadas.
Assim Steve Rogers, Capitão América, se desmascara e se entrega às autoridades como foragido à lei.
Sendo baleado mortalmente


Na morte simbólica do ícone do americanismo, pouco será por acaso.

Um Capitão América morto por um sniper, após décadas de lutas colossais corpo-a-corpo com os piores vilões. Num mundo em que o confronto bélico directo perde eficácia e mais se rege pela lei do dano cirúrgico inesperado e fulminante.
Um Capitão América morto nos degraus exteriores de um edifício público. Em plena rua. No coração do quotidiano americano. Uma morte próxima, familiar, íntima, distante dos palcos distantes onde inimigos da Nação eram mantidos longínquos.
Um Capitão América morto sem máscara. Não sem disfarce, mas sem identidade, sem essência. Descaracterizado, reduzido ao consenso e à homogeneidade.
Um Capitão América morto algemado atrás das costas. Voluntariamente impotente. Rendido a um suposto bem comum, a uma evidência benéfica discutível.

A crónica contemporânea de uma América de escolhas dolorosas. Mas por força das circunstâncias cada vez menos uma América com opções em aberto.
Uma América cuja morte é narrada no outro lado do espelho.

Enleada no perigo maior de perder a sua essência vital para não peder a sua segurança.

Uma América anamorfoseada.




(Uma sentida homenagem às minhas pobres páginas impressas, digitalizadas para esta ingrata função...)

12/01/07

Gente "estúpida"

Há coisas giras nos media.

Uma das minhas preferidas são as coincidências.

Pudemos observar nesta notícia que afinal "terrorismo" também aceita emprego de aspas.
(Não em registo literário, mas em jornalismo de título garrafal!)

O ataque à Embaixada Americana em Atenas, realizado com o disparo de um projéctil explosivo, do meio da rua, contra a sua fachada, foi, de acordo com o DD, "«um acto de terrorismo»".
De novo com aspas.

Claro que é uma coincidência, esta coisa das aspas no caso de um acto de "terrorismo" contra um alvo americano no estrangeiro.

...E ainda mais o seria se já na altura se soubesse que os autores confessos da proeza foram meninos de um grupo de extrema-esquerda, uns tais heróicos - mas fracos criativos - de "Luta Revolucionária", considerados uns bichões por andarem a atentar contra propriedade e vidas de quem acham que, através da globalização capitalista, anda a dar cabo do seu Plano Final global.

Coincidências numa imprensa useira...

É claro que não se descarta a possibilidade do aspamento como mero excesso de entusiasmo de um qualquer redactor a mãos com teclado novo.
(E vai de teclar a metro a sua sinfonia gráfica.)

Eu sei bem do que falo.
Ainda no outro dia encontrei um caso desses. De claro excesso de zelo.
E rezava assim:


Há quem possa ver neste post uma rotunda "estupidez".
Eu vejo-o apenas como ele é: uma curiosa coincidência.

10/01/07

"I see dead people..."

Alguém ainda tem paciência para esta pessoa?...

É que está sempre a aparecer!
Sempre a azucrinar!

Se acontece alguma coisa no mundo, lá está ela!
Se acontece cá, lá está ela na mesma!
Se não acontece nada, nem assim nos livramos!
Quer haja assunto, quer não haja, quer alguém o invente ou lhe dê espaço para o inventar, ela lá está, sem piedade...

Se não é o Borndiep é outra coisa qualquer.
E por mais que tentem enterrá-la, ela desenterra-se sempre sozinha!
Não foi mera casualidade mandarem-na para a Indonésia ou para a Europa! Queriam era ver-se livres dela!
...E olha o resultado: nenhum.

Agora são "os vôos da CIA", a encher chouricito.



E mexe e remexe e torna a mexer...

Até que a senhora vai dois dias aos Açores, fala com populares (só pode ter sido) que lhe "confirmam a passagem nos Açores de vôos da CIA" (espanto!) e toma conhecimento de
movimentações de "pessoas agrilhoadas".

Ora, quer se trate de uma actualização festiva do "Conto de Natal" do Dickens ou não, esta coisa do "diz que lhe disseram que viram" é uma grande fantochada.
E se calhar, se a senhora não andasse sempre no laréu, se falasse com qualquer português que cá viva e pene, qualquer um lhe contaria das "
coisas complicadas" que tem visto acontecer!...

Com tantas "visões", dá vontade de dizer: "Ai «I see dead people...»? Olha que eu também! Como dizia o chavalito: «Dead people walking around like regular people. They don't see each other. They only see what they want to see. They don't know they're dead.»"


Porque é da boca das crianças que sai a verdade.

10/11/06

América

Os Estados Unidos foram a votos.
E já se conhecem como resultados definitivos as vitórias dos democratas em ambas as câmaras do Congresso.


Na maior democracia do mundo, votou-se livremente e os americanos optaram claramente por uma mudança de rumo.
(Que a acontecer, influenciará consigo o mundo inteiro. É esse o signo da América.)


Na maior democracia do mundo, as alterações de política interna e externa ocorrerão, trazidas pela nova maré partidária, mas a Nação não abalará por isso.
Não ameaçará colapsar sob a sofreguidão da mudança ou com a sua brusquidão, porque a mudar será sempre profunda e silenciosa como o rio caudaloso.


A América é um grande País. Eu já o sabia. E digo-o sempre; não é de hoje.
(Contrariamente a alguns canoras que, de repente, viram raiar deslumbrados o brilho das riscas e das estrelas, dependente do resultado alcançado pelos democratas!)

Recordo-me enfim do que cívica e democraticamente disse o cívico e democrata sr. engº Pinto de Sousa, nosso Primeiro, na noite da sua vitória legislativa, relativamente aos seus adversários: "Espero que tenham aprendido a lição."
Os democratas e os bem-pensantes americanos aprenderam a lição, de facto, nas últimas presidenciais: a campanha de denegrecimento da figura do Presidente e do homem George W. Bush, por mais saborosa que tenha sido, não compensou.

Desta feita, jogaram-se os factos e os dados, e o povo falou.

Como se esperava. Espera-se que bem.

02/11/06

Scary America

O "problema islâmico" é uma questão (porque uma invenção) americana.

Começou pela mão dos Estados Unidos, foi alimentado pelos Estados Unidos, está a ser acalentado pelos Estados Unidos, rebenta na boca dos Estados Unidos, e o mundo civilizado - isto é, o mundo excluídos os Estados Unidos - é um espectador distante mas preocupado com a inventona (como agora se diz...) do "choque de civilizações" dos Estados Unidos.

Parece um discurso de disco riscado?
Se calhar é porque é!

Acabada a Guerra Fria, durante a qual o mundo (o civilizado...) não ousava respirar com risco de uma eclosão militar, este sacou lampeiro do caderno dos calotes acumulados.
...E tudo que era deserdado geoestratégico desatou a a apontar deditos acusadores à "tutela" a que estivera sujeito.

Com a curiosidade de que, com a queda do Muro, só restou um único caloteiro das democracias oprimidas a quem cobrar: os Estados Unidos.
Uma única potência a que os credores das liberdades se lançaram ávidos, até ao dia de hoje.
(Como um Euromarché que passa a Carrefour, a ex-URSS tornou-se uma inimputável política e, ainda que a braços com os seus cancros políticos internos, foi amnistiada por unanimidade na praça internacional.)

Resultado: "A" superpotência Estados Unidos assumiu sozinha as despesas do equilíbrio de um mundo que ainda ficou mais instável com a queda do Muro e como bónus passou a ter escrutinados com rigor implacável todos os seus passos.

Não discuto (agora) a intervenção no Iraque e o derrube de Saddam Hussein.
É unânime que foi um marco na história contemporânea, positivo (?) para uns, negativo (?) para outros.
É unânime que teve um peso determinante nos equilíbrios jogados em muitos tabuleiros políticos paralelos.
É facto que é (se tornou) um espinho na política internacional que urge remover, pretendendo-se um mundo em paz.

Mas o "problema islâmico" NÃO é uma questão (porque uma invenção) americana!

Quando se lê que dezenas de funcionários muçulmanos do aeroporto Charles de Gaulle, o principal aeroporto francês, ficaram sem os crachás que permitiam livre acesso pelas instalações por "representarem um risco", dá vontade de perguntar: "E os Estados Unidos nisto"?
Ou quando se lê noutro lado que taxistas muçulmanos na Austrália se recusam a transportar cães ou pessoas que beberam nos seus táxis, por motivos religiosos...
Ou quando ouvimos que na Noruega um lobby tem a pretensão a um feriado nacional muçulmano....
Por que razão a nova Ministra para a Integração sueca sentiu necessidade de propor medidas como a proibição de uso de lenços de pendor religioso por raparigas com menos de 15 anos, a introdução no Código Penal de crimes contra a honra suscitados por exemplo por excisões praticadas, ou de propor que todas as raparigas com menos de 15 anos fossem analisadas para verificar se teriam sido já mutiladas?

...Estados Unidos? Don't think so...

Andarmos distraídos é péssimo.
Mas deixarmo-nos enganar não é melhor.

(Estas e outras em Letras com Garfos.)

11/09/06

Hoje, "somos todos americanos"?

11 de Setembro.
Um dia que não passará (nunca mais) despercebido.

Já uma coisa diferente será a forma como se comportam hoje, como evoluíram algumas consciências (dando como certa a sua existência...) dos caminhos do mundo e da sua leitura desde "o" 11 de Setembro. O de 2001.

Não me refiro aos minutos de silêncio.
Nem às palavras de circunstância, aos lamentos, aos "repúdios", às racionalizações ou aos votos de esperança.

Refiro-me aos "americanos" de há cinco anos.
Aos Kennedys-fécula de batata, aos neo-solidários, aos humanistas encartados pelo monopólio da razão europeia.
Aos que diziam a 11 de Setembro de 2001, mais em terror que em simpatia, "hoje somos todos americanos".

O que é feito desses?
Que é feito deles após a reeleição de George W. Bush?
Após a incapacidade americana para exorcizar por mediação envergonhada o fantasma terrorista do mundo ocidental?
Após a intervenção no Iraque.
Após Guantanamo.
Após cinco longos e recheados anos...

Onde estão eles? Os "berlinenses" da ética?
Ainda estão por aí? Ainda se aguentam no posto?
Terão tido a coerência, a vontade, a coragem de continuar "americanos" no dia do Pearl Harbour das gerações ainda vivas? (O número de vítimas foi similar, a surpresa, a violência, a marca na história, ...)

Eu estou ainda aqui.
Sei que estou.
Sem arrependimentos nem complexos.
Crítico, mas firme.
Hoje sou, ainda, um pouco americano.

08/06/06

Fim de um ciclo

As forças militares americanas, jordanas e iraquianas eliminaram Abu Musab al-Zarqawi (ver aqui).
E não deve haver escândalo no uso do termo.

Não cabem numa resma de posts as considerações que se impunham sobre Saddam Hussein, os Estados Unidos, o folhetim ONU, a intervenção no Iraque, a vitória militar, a derrota administrativa, o terrorismo no terreno, o terrorismo global, a Ministra da Educação Maria de Lurdes Rodrigues e outras desgraças quejandas que enquadram o episódio.
Fico-me apenas por um sentimento assumido (e bastante culposo) de satisfação por ter acontecido.

Nenhum problema do mundo se resolveu no segundo da sua morte. Nem sei se pelo contrário.
Mas sei que não tornarei a ver imagens deste homem (?) a degolar inocentes.

(Porque as vi na íntegra. Quantos de muitos que falam as terão visto?)